Governador do Rio anuncia promoção para PMs que mataram sequestrador de ônibus

O governador do Rio de Janeiro, Wilton Witzel afirmou que pediu a promoção dos policiais militares que participaram da morte do sequestrador de um ônibus com passageiros na ponte Rio-Niterói na manhã desta terça-feira (20).

“Já determinei a promoção dos atiradores por bravura. Eram vários, para ter vários ângulos. Foi uma ação que mostra quanto nossa polícia militar é preparada para preservar vidas”, disse Witzel, que compareceu ao local do sequestro. “Se não tivesse sido abatido esse criminoso muitas vidas não teriam sido poupadas. Se a polícia puder fazer o trabalho dela e abater quem está de fuzil tantas outras vidas vão ser poupadas”, declarou.

O governador falou que teve contato com os parentes do sequestrador, ainda não identificado. “Foi uma pessoa que tem transtorno, a família já me disse alguma coisa, tem problema mental, vamos aprofundar a causa. Peço desculpas à sociedade pelo transtorno. Um dos familiares pediu desculpas, pediu desculpas aos reféns, a mãe está muito abalada, vamos cuidar da família dele para entender esse problema. Estamos acompanhando a família dos reféns e da pessoa que foi a óbito agora”, afirmou Witzel.

O governador aproveitou o momento para defender a ação da polícia militar. “Foi uma ação que mostra quanto nossa polícia militar é preparada para preservar vidas. O crime organizado mata pessoas inocentes e querem colocar a culpa na polícia. A PM tem preparação, vai continuar agindo com rigor. Deixei a polícia agir e em momento algum impedi que a polícia agisse”, apontou Wilson Witzel.

“Muitas vezes, uma parcela da sociedade, partidos de oposição, estão mentirosamente dizendo que polícia está matando favelados. Polícia identifica e mata quem está prejudicando a população, erros são estudados para que não aconteçam mais, foi um caso importante para fazermos nosso registro”, continuou.

No mês de agosto, o Rio de Janeiro registrou diversas mortes durante ações policiais. No dia 13, por exemplo, a adolescente Margareth Teixeira, 17, ia para a igreja com o filho de um ano e dez meses no colo quando ambos foram atingidos, durante operação da PM na favela do Quarenta e Oito, em Bangu.

Na ocasião, foi pelo menos a quarta jovem morta durante a intervenção, somada a Dyogo Costa, 16, Gabriel Pereira Alves, 18, e Henrico de Menezes Júnior, 20, também mortos em comunidades fluminenses nos últimos cinco dias. Houve ainda no mínimo outras oito pessoas mortas e seis feridas, incluindo dois policiais, em operações até o dia 13.

Os policiais ainda não sabem as motivações do sequestrador. De acordo com o governador Wilson Witzel, ele aparentava estar defendendo uma causa própria. “Ele pediu uma ambulância, fez pedidos como se estivesse defendendo alguma causa, não vamos saber jamais, nem dava para saber. É um estudo de caso importante que temos que ter para evitar novos casos. Temos que tirar lições desse caso para aperfeiçoar, passar para empresas de ônibus como podem se proteger e fazer um comparativo”, declarou o governador.

“Quero agradecer a Deus por essa solução que infelizmente não era a melhor possível, ideal era que todos saíssem com vida, mas tivemos que tomar a decisão de salvar os reféns. Rapidamente solucionar o problema, foi um trabalho muito técnico da polícia militar, fiquei monitorando para fazer meu trabalho como governador”, acrescentou Witzel.

ENTENDA O SEQUESTRO
O sequestro começou por volta das 5h30 desta terça. Armado, o homem ordenou que o motorista da Viação Galo Branco estacionasse o veículo atravessado na ponte.

O ônibus faz parte da linha 2520, que sai do Jardim Alcântara, em São Gonçalo, em direção ao Estácio, na região Central do Rio. Mauro Fliess, porta-voz da PM, disse que há indícios de que a ação foi premeditada. “Ele porta instrumento para fazer coquetel molotov e imobilizar as vítimas. Estamos trabalhando para termos um final satisfatório”, afirmou.

Um grande congestionamento se formou no acesso da via. No Twitter, a Ecoponte, concessionária da ponte Rio-Niterói, recomenda o uso de barcas para fazer a travessia no sentido Rio. Não há alternativa viária para fazer o trajeto. De acordo com a PM, o sequestrador do ônibus estava armado com uma pistola falsa, uma faca, um taser (eletrochoque) e também ameaçou atear fogo no veículo com um galão de gasolina.

Ao longo da negociação encabeçada por policiais rodoviários e do Batalhão de Choque, o suspeito libertou seis reféns: quatro homens e duas mulheres. Segundo a polícia, todos os passageiros libertados passam bem e ao menos 31 pessoas (incluindo o motorista) estavam dentro do ônibus antes de o sequestrador ser morto.

Diego Garcia/Folhapress – foto: reprodução

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