A visão antropológica do general Mourão

Postado em 08/08/2018 15:58 - Atualizado em: 08/08/2018 15:58
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O capitão e o seu general “fazendo escola”

Milton Saldanha,  jornalista

A imperdível e irretocável crônica de Leonardo Sakamoto, hoje, no UOL, se antecipou em alguns pontos que eu pretendia abordar sobre os comentários do general Mourão, sobre negros e índios. Sakamoto foi amplo e escreveu melhor do que eu faria. Recomendo a leitura.

Não sem antes fazer uma sugestão ao ilustre general, com todo o respeito: uma visita ao Museo Pre-colombino, em Santiago, capital do Chile. Museu que vale por uma aula de História sobre nossa América antes da chegada de Cristovão Colombo.

Um vasto mapa, numa parede, nos mostra como nosso continente era povoado, desde o Norte do Canadá, até a Terra do Fogo, no extremo Sul. Passa pelos Andes e inclui,  claro, as diferentes povoações que existiam também no Brasil.

Outro mapa mostra como ficou tudo isso depois da chegada dos “civilizados” colonizadores europeus. Quase nada.

O genocídio foi de uma extensão aterradora.

Se o general não quiser ir tão longe, sugiro uma visita à Casa Rosada, sede do governo argentino, em Buenos Aires. Onde fotos e pinturas contam a mesma História, só que no caso só no território argentino.

Chilenos e argentinos têm seus defeitos, mas podem nos dar aulas sobre uma qualidade: não ter vergonha de contar a verdade sobre um passado muito feio e trágico.

Que no Brasil sempre procuram esconder.

Assim, quando os estudantes vão ao museu chileno, ou ao palácio argentino, aberto à visitação em fins de semana, eles aprendem que a História do nosso continente, e dos seus países em particular, não foi tão edificante e bela. Elas foram escritas com sangue. E a História tem cheiro: o do lixo.

Nem tudo foi lindo e belo, com heróis, como ensinam no Brasil. Ainda que alguns tenham existido.

Quando o general que deseja ser vice-presidente do Brasil exala seu preconceito contra negros e índios, com a desculpa de fazer parte da mesma etnia, achando que isso o isenta de suspeitas e críticas, não percebe o essencial: que absorveu a cultura do opressor. Capitulou.

E isso não fica bem para um guerreiro.

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