Aprendizagem ativa: autonomia é ter atitude

Como condição de educação ativa contemporânea, o conjunto das várias práticas pedagógicas ativas traz ao conceito de autonomia mais expressividade, energia e brilho, uma vez que leva o aluno a ser agente de sua própria aprendizagem e elaboração de conhecimento e, consequentemente, de sua formação como futuro cidadão. A autonomia desencadeia uma série de novas perspectivas pessoais – como a atitude e a autodeterminação, por exemplo – ao permitir que o aluno “se depare com situações-problema nas quais consiga exercitar tanto a sua capacidade intelectual quanto as suas ações práticas.

Dentre essas novas perspectivas, a atitude é, talvez, a que melhor define o comprometimento de se tornar autônomo. Na atitude está a determinação, a disciplina, o querer e o se permitir ser autônomo. É preciso autonomia e ter atitude para enfrentar problemas autênticos, pois estimulam-se pensamentos e reflexões; é preciso autonomia e ter atitude diante de situações desagradáveis, uma vez que é pela vivência e envolvimento que se formam valores morais e um comportamento social ativo, assim como é preciso autonomia e ter atitude frente a desafios, concorrências, competições e adversidades do dia a dia, visto que reforçam o aprender a aprender e desenvolvem o aprender a tomar decisões e propor soluções.

Aprende-se em um cenário contemporâneo de mudanças bastante expressivas nos setores tecnológico, social, comportamental e educacional. O diferencial do ensino e aprendizagem ativos – em relação à educação tradicional – está na estratégia sutil de formar indivíduos pensantes e reflexivos. Mais do que se apropriar de conhecimentos prontos, a autonomia, a criatividade e a atitude pessoal, transformam desafios problemáticos em soluções originais. De modo bem direto e claro, Cardoso et al (2013, p.75) afirmam que “uma competência adquirida em determinado contexto passe a ser aplicada num contexto diferente”, como aprendizado gradual e contínuo, como experiência vivenciada e consolidada.

Entretanto, não há como saber que situações os cidadãos precisarão enfrentar ou que problemas e projetos determinarão resoluções criativas numa sociedade daqui a 20 ou 30 anos, assim delimitam os autores Bacich et al (2015), Bender (2014), Cardoso et al (2013). Haja vista a comoção que se vivencia nos dias de hoje com a COVID-19: quem ou qual governo estava preparado para esse enfrentamento? Qual escola ou metodologia ensina a seus alunos, futuros cidadãos atuantes em suas comunidades e negócios, a agir e a se organizar diante de desafios sem precedentes?

Frente a estes questionamentos, a educação pode ter na aprendizagem ativa condições de crescimento e amadurecimento pessoal do aluno. Assim como aprende-se a ser responsável, também ser autônomo e mostrar atitude diante de desafios, deriva de ensinamentos e de prática.

Todavia, aliado a esse desenvolvimento pessoal, o aluno tem – como personagem principal do aprendizado – o compromisso com o bom percurso de seus estudos. Isto posto, seguem algumas dicas importantes e facilitadoras para incrementar a aprendizagem:  1 – amplie seu conhecimento por meio de diversas formas de envolvimento e compartilhamento de saberes (tarefas e materiais) com colegas e professores; 2 – participe de todas as etapas do processo de modo colaborativo e reflexivo; 3 – use a combinação de metodologias ativas com tecnologias digitais móveis a seu favor para organizar e produzir seus trabalhos; 4 – siga as referências de material e ensinamentos de seu professor/orientador; 5 – estabeleça uma disciplina de tempo e horários de estudo; 6 –  respeite seu ritmo de estudo; 7 – acesse vídeos e materiais e estude antes da aula, anotando as dúvidas; 8 – valorize e aperfeiçoe suas competências (tecnológicas, matemáticas, expressão escrita, expressão oral e outras).

Afinal, o percurso do aprendizado não tem limites. Aprende-se a todo instante e em todo lugar, pela vida toda, de modo processual e contínuo. Por esta razão, há que se fazer do aprendizado um hábito e da (boa) atitude uma autonomia adquirida.

Autora: Virgínia Bastos Carneiro é professora do curso superior de Secretariado Executivo do Centro Universitário Internacional Uninter

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