Ataques de drones: até que ponto está seguro o espaço aéreo?

Postado em 08/08/2018 16:22 - Atualizado em: 08/08/2018 16:22
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© AP Photo / Kirsty Wigglesworth

No sábado passado, na Venezuela, de acordo com dados oficiais, o presidente Nicolás Maduro sofreu uma tentativa de atentado com uso de um veículo aéreo não tripulado.

A empresa Dedrone, localizada em Kassel, na Alemanha e especializada em segurança contra ataques de drones, se pronunciou recomendando medidas de segurança. Pois, de alguma forma, os drones podem também ser utilizados por criminosos.

Na terça-feira (7), de acordo com a mídia, foi evitado um ataque contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Embora todos os detalhes do fato sejam desconhecidos, o incidente levantou uma questão atual: até que ponto está seguro o espaço aéreo? A Alemanha está suficientemente preparada contra ataques de drones?

Dinamite e pânico coletivo

“Tecnicamente, os ataques envolvendo drones são bastante possíveis. Os drones podem transportar e largar substâncias explosivas e outras”, afirmou a secretária de comunicação da empresa Dedrone, Friederike Nielsen, em entrevista à Sputnik Alemanha. Dedrone é uma empresa de Kassel especializada na segurança contra drones. “Aquilo que ocorreu na Venezuela pode ocorrer em qualquer outra região do mundo.”

“Isso não quer dizer necessariamente que seja algo de perigoso. Imagine você que, utilizando um drone, se espalharia um pó branco sobre um estádio e ninguém saberia o que era esse pó. Isso certamente causaria um pânico coletivo, e isso é um perigo por si só”, explicou Nielsen. Segundo a empresa, os drones estão sendo cada vez mais utilizados para fins não previstos. Assim, no Iraque, o chamado Estado Islâmico usou drones para lançar granadas contra posições dos inimigos. Além disso, os drones são utilizados frequentemente para entrega de armas e drogas em presídios.Eventos importantes e clientes especialmente importantes

Quanto maiores as possibilidades de utilização de drones, maior será a diversidade de clientes da empresa Dedrone. Dentre eles estão bancos, empresas industriais e centros tecnológicos que necessitam de segurança anti-espionagem. Também há presídios que precisam ser protegidos contra o contrabando de armas e drogas, assim como diversas pessoas famosas que são incomodadas por fotógrafos.

Claro que a empresa Dedrone também coopera na segurança de eventos públicos. “Assim, nós controlamos a situação durante dois debates pré-eleitorais entre Hillary Clinton e Donald Trump”, disse a secretária de comunicação da empresa. Além disso, representantes da Dedrone participaram do Fórum Econômico Mundial, em Davos, em 2017 e 2018.
Novas tecnologias estão sendo aprovadas pelas Forças Armadas americanas. Contudo, nem todos os clientes estão interessados em serem nomeados, adicionou Nielsen. “Por isso, nós não podemos citar todos os exemplos.”

Evacuar pessoas e criar interferências nos drones

“Uma espécie de ‘coração’ do nosso sistema é o software de segurança inteligente, capaz de reconhecer e classificar os drones. Assim, podemos informar que tipo de drone está no ar em um determinado momento”, afirmou a secretária de comunicação da empresa. Para isso, são utilizados sensores de alta frequência: quem controla o drone estabelece via rádio a comunicação entre o painel de comando e o drone. O sistema da Dedrone é capaz de detectar esse posto de comando, e assim detecta o operador e o drone. Quando a localização é descoberta, já é possível acionar a polícia, que irá procurar o operador. Além disso, o drone pode ser desorientado através de uma interferência especial, de tal maneira que ele simplesmente “se perde”. Com isso, contudo, existe um risco, pois você não sabe exatamente qual será a reação do drone. Pode acontecer que ele retorne ao local de partida, poderá se manter no ar na localização atual, pode pousar ou continuar voando para o alvo. “Além disso, agora isso já não é possível”, explicou Nielsen.

Agora ele pode voar utilizando o piloto automático, podendo o percurso do voo ser programado antecipadamente, então o drone se orientará via GPS. Assim, ele já não depende do comando remoto. Nesse sentido, os especialistas da Dedrone desenvolveram outros sensores, assim como câmeras de vídeo, com capacidade de reconhecimento óptico dos drones.De fato, a solução “perfeita” seria simplesmente piratear o software do drone e passar a controlá-lo. Mas o progresso tecnológico ainda não chegou tão longe — há demasiados tipos de drones e respectivos protocolos. Além disso interferir no sinal do drone é mais difícil do que parece, é precisa uma permissão especial da autoridade competente. Pois na Alemanha só podem enviar sinais de interferência a polícia e as forças armadas.

Por isso, as medidas principais depois da localização do drone visam a segurança dos possíveis alvos, assim como a evacuação de pessoas. Também podem ser utilizados snipers contra os drones em caso de extrema necessidade.

Assim, a regra-chave da proteção contra drones é: quanto antes, melhor. “No âmbito do nosso sistema, nós tentamos detectar possíveis anomalias com antecedência. As pessoas que planejam atentados, possivelmente, farão voos de teste antes de agir”, afirmou Nielsen.

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