Julio Almeida
Quinta , 09 de Setembro de 2010

Olimpíadas, copa, trem-bala e outras reflexões
Há algum tempo atrás escrevi sobre os jogos Pan-americanos no Rio de Janeiro e sobre o que na época representava a candidatura da cidade aos jogos de 2016. Pois é, vencemos não só essa disputa, como também antes disso o país será a sede da Copa de 2014. Resolvi que vou fazer uma série de artigos sobre esse assunto...não sei se vai ser uma trilogia com três capítulos ou se vai ser uma trilogia tipo aquelas do Guerra nas Estrelas que nunca têm fim.

Como num passe de mágica, após os anúncios que mencionei acima, pareceu que o país estava pronto: portos, aeroportos e estradas funcionando perfeitamente, segurança eficiente, infra-estrutura de causar inveja. Mas o quê. Esquecemos que, como dizia o grande Jorge Luis Borges, após sonhar e preciso fazer.

Não fizemos nada até agora. Não temos nada até agora. Até compreendo que o nosso cronograma é diferente dos outros países, pois ele reserva um período para discussão de propinas, negociatas, superfaturamento, favores, o que convenhamos, não leva pouco tempo. Essas atividades importantes por si só já consomem uma boa parte do prazo estimado de execução! Tenho a impressão que ainda estamos nessa etapa. O único aspecto positivo que eu vejo é que ao contrário do Pan, o Cesar Maia não está metido nessa.

O mais preocupante é a falta de idéias boas e o excesso de idéias mirabolantes para não dizer ridículas. Desde a criação de mais elefantes brancos, soluções desnecessárias, como a criação do metrô em Porto Alegre e o trem-bala entre RJ e SP. Este último chega a ser hilário: o prazo estimado para funcionamento é de 8 anos. Até lá tanto a Copa quanto as Olimpíadas já terminaram!

No meio disso tudo, não custa lembrar que teremos duas eleições para presidente. E é aí meus amigos, talvez seja onde se escondem os maiores perigos. As obras tão importantes para o país (vejam que não cito evento nenhum) certamente serão objetos de interesses eleitorais. E tal como ocorre hoje, serão inauguradas sem a menor condição de funcionamento.

Pode parecer rabugento ou estraga-prazeres da minha parte, mas é triste saber que uma nação só percebe a necessidade de melhorias profundas a partir de eventos que duram 30 dias. Copa, Olimpíadas, show da Madonna, trio elétrico da Ivete, isso tudo é muito legal. Mas projetos de segurança, transporte e turismo não podem surgir por conta disso.

Temos pela frente imensas oportunidades... se não avançarmos agora, vamos expor ao mundo o nosso armário bagunçado que antes, só nós víamos.

Julio Cesar de Almeida
Economista e Escritor

Postado em 09/01/2010 ás 09:26

 
 
 

POLITICA DE PRIVACIDADE | TERMOS DE USO | FALE CONOSCO | EXPEDIENTE

2000 - 2009 - Todos os direitos reservados