Bahia, Sexta-feira, 24 de Maio de 2013
 
José Queiroz
Sexta , 24 de Maio de 2013

Prefeitura precisa interagir com o trade do Turismo Receptivo
Tem circulado muitas notícias sobre os problemas do turismo de Salvador, suas conseqüências, e a necessidade de recuperação dessa indústria, outrora visivelmente forte, com muitos benefícios para a cidade e seu povo. Outras matérias e publicidade passam a impressão de que está tudo bem, como no slogan ‘A Stock Car acelera o Turismo da Bahia’. Acelera nada, acelera os negócios de alguns! De parceiros privados do Estado que, inclusive, usa dinheiro do contribuinte para publicidade.

Quem esteve no Pelourinho no último fim de semana o encontrou deserto, e não apenas por causa da chuva, e sim porque muitos leitos de hotéis foram ocupados pelos envolvidos com a corrida, que a viram e foram embora, já que a maioria dos ingressos foi comprada pelo povo da cidade e da região metropolitana. A propósito: a Secretaria de Turismo da Bahia é uma das patrocinadoras do piloto Patrick Gonçalves e do evento, mas, de quem é o lucro? A alegação de ‘emprego temporário’ também não convence mais ninguém! Operadores e gestores não vivem de trabalho esporádico!

Tem sido investido muito dinheiro público em eventos como Carnaval – um camarote recebeu R$ 430 mil do estado através da Bahiagás e da Embasa - Salão de Turismo, Stock Car, São João, Parada Gay, entre outros, aprovados por um ‘trade turístico’ que não representa o Turismo Receptivo de Salvador, mas, por falta de organização e liderança deste setor, estão se tornando novos ‘produtos turísticos’ da cidade. E não são! Eventos são negócios ocasionais, manipulados por operadoras que vendem viagens, hoteleiros e gestores públicos, onde o Receptivo tem sido explorado como mero coadjuvante, transportador de pessoas que vem a negócio, no máximo para uma festa, e não permanece como o turista com interesse cultural e em atrativos naturais.

A insistência com que gestores e imprensa consultam os profissionais errados para resolver os problemas do turismo da cidade demonstra a desinformação sobre o setor, sobre a importância de seus profissionais e empresários, suas necessidades e prioridades, seus lucros e benefícios, além da histórica manipulação e indiferença pelo turismo interno do Brasil. Urge a organização desse importante segmento da indústria turística, que gera muito mais empregos e renda, impostos para toda a cidade, e benefícios culturais, que a venda de viagens. Trabalham no Turismo Receptivo: gestores dos atrativos; escolas, faculdades, museus e centros artísticos; turismólogos, agentes de viagens e guias de turismo; hoteleiros locais, recepcionistas e outros funcionários; transportadores e suas equipes de apoio; comerciantes especializados, etc. Como se vê, um universo desprestigiado pelas instâncias do turismo da Bahia. E que pode dar muito voto! O Brasil precisa criar uma Associação Nacional de Turismo Receptivo, e Salvador pode ser pioneira.

O prefeito ACM Neto anunciou para o ‘trade turístico’ seu plano para a reforma da orla de Salvador, em nove pontos diferentes: São Tomé, Tubarão (Paripe), Ribeira, Barra, Jardim de Alá, Boca do Rio, Piatã e Itapuã. Não foram contemplados o trecho entre Calçada e Contorno, de grande beleza, concentração de atrativos e circulação de turistas, e a famosíssima praia de Amaralina. Aliás, o prefeito ACM Neto, como responsável pela cidade, precisa averiguar o que está havendo com a obra da feira de São Joaquim que está parada e desfigura mais ainda aquela parte da cidade. Tem dinheiro do turismo investido absurdamente ali e na Ceasa do Rio Vermelho, também parada. E já que o assunto é Orla, o Terminal Turístico, no Comércio, é mais importante que muito evento!

Representantes do ‘trade turístico’ ainda fizeram sugestões e reivindicações que refletem o desconhecimento e os interesses característicos do Turismo Exportativo, aquele que vende viagens, representado pela ABAV – Associação Brasileira de Agências de Viagem – que consome muito dinheiro público em qualificações e requalificações, muitas positivas para esse segmento, no qual o Brasil é destaque, mas muitíssimas inúteis, como a pretensão do seu eterno presidente na Bahia, Pedro Galvão, de tirar jovens da rua e transformá-los em ‘guias mirins’, iniciativa que não funcionou nunca, e não se usa mais. Turismo é coisa de gente grande, com formação cultural! Já o profissional de hotelaria, Silvio Pessoa, atual presidente do Conselho Baiano de Turismo, do qual a senadora Lídice da Mata é membro e abandonou o Pelourinho, quer mais festa na cidade. É muito dinheiro público, fácil e mal utilizado, pelo menos para o Turismo Receptivo e para a sociedade.

*José Queiroz, guia de turismo, agente de viagem, especializado em Turismo Receptivo

Postado em 22/05/2013 ás 17:00

Leia Também

 
 
 

POLITICA DE PRIVACIDADE | TERMOS DE USO | FALE CONOSCO | EXPEDIENTE

2000 - 2009 - Todos os direitos reservados