COVID-19 e vacina: governo deve esquecer ‘guerra política’ e focar em tecnologia, diz ex-ministro

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A Anvisa está realizando até dia 11 de dezembro uma missão que vai avaliar as condições dos laboratórios da Sinovac e da Wuxi Biologics, ambos na China.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quer saber se as empresas cumprem os requisitos necessários para o registro de imunizantes, caso as pesquisas em desenvolvimento indiquem a eficácia e os responsáveis queiram comercializar o produto no Brasil.

A Sinovac Life Sciences Co. é a fabricante dos insumos utilizados pelo Instituto Butantan na produção da vacina CoronaVac, enquanto a Wuxi Biologics Co. produz os utilizados pela Fiocruz Bio-Manguinhos para aquela em parceria com a AstraZeneca.

No mês de outubro, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciou a aquisição de 46 milhões de doses do produto da Sinovac, porém, logo em seguida, o presidente Jair Bolsonaro disse que o governo federal não iria comprar a “vacina chinesa”, segundo publicou a Agência Brasil.

Médico do Hospital Universitário de Brasília mostra a vacina chinesa da Sinovac, voltada ao novo coronavírus
© AP PHOTO / ERALDO PERES Médico do Hospital Universitário de Brasília mostra a vacina chinesa da Sinovac, voltada ao novo coronavírus

Disputa política entra no jogo

Abriu-se então uma querela política com o governador do estado de São Paulo, João Doria, que já se posicionou pela CoronaVac, na parceira com o paulista Instituto Butantan, enquanto Bolsonaro teria preferência pela vacina da AstraZeneca, por seu custo menor e pela fácil produção e estocagem em relação às concorrentes.

Em entrevista à Sputnik nesta terça-feira (1), o médico, ex-ministro da Saúde a atual deputado federal Alexandre Padilha, disse que disputas políticas não devem acontecer no momento: “A última coisa que o brasil precisa é uma guerra interna sobre vacinas, movida por interesses eleitorais ou relacionada à xenofobia”, comentou o deputado.

Deputado federal Alexandre Padilha, do PT de São Paulo
©ZANONE FRAISSAT/FOLHAPRESS Deputado federal Alexandre Padilha, do PT de São Paulo

A questão central, na visão de Padilha, é que o Brasil deve deter a soberania tecnológica, em parceria com outros países, de várias técnicas e tipos de vacina, para garantir uma “imunização robusta” em todo o país. “Isso é importante inclusive para absorver tecnologia que seria usada em outros desafios de saúde pública nacionais”, afirmou o parlamentar.

“O Congresso tem acompanhado passo a passo as medidas da Anvisa, acionamos o Tribunal de Contas da União para que ele acompanhe as ações da agência, e não admitiremos qualquer postura da Anvisa que não seja amparada em questões técnicas”, disse Padilha.

Afinal, qual o melhor caminho a seguir?

Um episódio na queda de braço entre governo federal e o estado de São Paulo, aconteceu no mês de novembro, quando a Anvisa interrompeu os testes com a CoronaVac, alegando a existência de um evento adverso, no caso a morte de um voluntário no estudo.

Contudo, o Instituto Butantan afirmou que o óbito não teve relação com a vacina, o que gerou reações de políticos e pesquisadores sobre a atuação da Anvisa. Depois do imbróglio e esclarecimento do fato, os testes foram retomados com a autorização da Anvisa.

​Já a Wuxi Biologics produz insumos para a vacina de Oxford, que também está em fase de testes e é desenvolvido por um consórcio formado pela instituição de ensino britânica e pelo laboratório AstraZeneca. O governo federal, mesmo antes da conclusão das pesquisas e comprovação da eficácia, firmou acordo com o grupo responsável para adquirir insumos para a fabricação das doses no país, tarefa que ficará a cargo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A Fiocruz informou recentemente que submeterá à Anvisa documentos para a avaliação dos testes realizados pela Astrazeneca e pela equipe de pesquisadores da Universidade de Oxford, envolvida no desenvolvimento da vacina. A expectativa da Fiocruz é começar a produzir as doses em janeiro do ano que vem.

No dia 22 de novembro, o Ministério da Saúde informou que está em negociações com cinco laboratórios fabricantes de imunizantes contra a COVID-19. Esse passo é importante segundo Padilha, pois o Brasil precisa participar de todos os projetos de desenvolvimento de vacinas, seja dos dois liderados pelas instituições brasileiras [Butantan e Fiocruz], ou de qualquer outro, citando inclusive a Sputnik V, da Rússia.

“Devemos fazer pressão sobre o governo federal. O Congresso Nacional, os órgãos de controle do Estado brasileiro como o Tribunal de Contas da União, a imprensa, a sociedade, para que a Anvisa, em nenhum momento tenha uma atitude discriminatória, xenófoba, em relação à vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan [em parceria com a Sinovac], mas também contra qualquer outra vacina de qualquer outro país”, finalizou Padilha.

Fonte: Sputnik Brasil

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