Estudo aponta 100 mil mortes a mais que o habitual na Europa

Enterro na Espanha, um dos países mais afetados pela pandemia do novo coronavírus

Elevado número contabilizado em quatro semanas pode ser indício de que muito mais pessoas morreram de covid-19 do que se tem registro. Situação é particularmente grave em Bélgica, França, Itália, Espanha e Reino Unido.

De acordo com dados mais recentes do European Mortality Monitoring (EuroMomo), morreram cerca de 100 mil pessoas a mais do que o habitual na Europa no período entre 23 de março e 19 de abril. A alta é observada particularmente entre maiores de 65 anos: o EuroMomo registra uma taxa de sobremortalidade de cerca de 95 mil casos nessa faixa etária.

Sediado em Copenhague, o Euromomo é uma rede colaborativa que desde 2015 processa dados nacionais fornecidos semanalmente por 24 países europeus, sendo apoiada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, em inglês) e a Organização Mundial de Saúde (OMS). A meta é proporcionar um sistema para monitoramento da mortalidade que sirva de apoio para a administração do sistema de saúde público europeu.

Os dados indicam que já nas primeiras 16 semanas de 2020, a cifra de sobremortalidade – o excesso de óbitos em relação ao que normalmente é observado em determinado período – ultrapassou as cifras totais de sobremortalidade registradas em anos anteriores. Isso, embora em 2017/18 tenha ocorrido uma severa onda de gripe e as estatísticas mais recentes para 2020 ainda possam ser corrigidas para cima, devido ao atraso de transmissão de determinados de registros regionais.

A sobremortalidade difere sensivelmente de país para país da Europa. Enquanto em alguns nenhuma sobremortalidade foi identificada, nações como Bélgica, França, Itália e Espanha foram severamente afetadas.

Os números são particularmente altos na Inglaterra. No país, segundo o Euromomo, o chamado valor Z, que mostra a diferença em relação à taxa considerada normal, é atualmente superior a 44 pontos. Quanto maior o valor de Z, maior a taxa de sobremortalidade em comparação com a média habitual.

Também na Suíça, o Serviço Federal de Estatística do país registrou um número significativamente maior de óbitos entre pessoas com mais de 65 anos de idade, atribuindo o dado a “uma expressão da atual pandemia”.

A taxa de mortalidade na Suécia também é significativamente mais alta do que a normal, segundo dados da autoridade estatística do país. A região de Estocolmo é particularmente afetada. A autoridade estatística também disse que o maior número de mortes foi registrado na semana que vai de 6 a 12 de abril. Particularmente afetada é a faixa etária acima de 65 anos.

Na França, dados do Instituto Nacional de Estatística mostram como determinadas regiões do país são severamente afetadas. O número de mortes no departamento Alto Reno (Haut-Rhin) é 144% maior que no ano anterior. Também na área de Paris, os valores são 128% mais altos do que no ano anterior.

O número historicamente alto de mortes pode ser um indício de que muito mais pessoas morreram de covid-19 do que se tem registro, mas é provável que houvesse muito mais vítimas sem medidas de proteção. Um estudo da Escola de Altos Estudos de Saúde Pública (Ehesp) concluiu que um mês de vigência de medidas de isolamento social na França evitou até 60 mil mortes e que sem essas medidas, mais de 100 mil leitos de unidade de terapia intensiva teriam sido necessários até 20 de abril.

MD/ard/ots

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