História suprimida: como CIA e NSA ajudaram a criar o Google para espionar cidadãos?

Postado em 27/09/2018 14:35 - Atualizado em: 27/09/2018 14:35
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© AFP 2018 / LLUIS GENE

Devido à comemoração dos 20 anos do Google, a própria empresa e diversas mídias publicaram histórias relatando os principais momentos do gigantesco mecanismo de busca. Mas a narrativa de como a CIA e outras agências de espionagem dos EUA ajudaram a financiar sua criação foi silenciada.

No início da década de 90, agências de espionagem buscavam aperfeiçoar o rastreamento de atividades de grupos e indivíduos pelo mundo, foi então que a comunidade de inteligência dos EUA lançou essa iniciativa ousada.

A ânsia de criar um meio online que facilitaria a coleta de uma grande quantidade de dados pessoais de cidadãos, juntamente com a revolução computacional ocorrida no momento, fez com que a Agência Central de Inteligência (CIA) e a Agência de Segurança Nacional (NSA) realizassem uma estratégia. Tal colaboração lançaria várias empresas importantes de destaque, entre elas, a Google.

Negação plausível

Já em 1993, a Comunidade de Inteligência dos EUA (IC, na sigla em inglês) lançou os Sistemas de Dados Digitais Massivos (MDDS, em inglês), um programa de pesquisa e desenvolvimento.

“A demanda em constante mudança exige que a IC processe diferentes tipos e volumes de dados […] A equipe de gerenciamento da comunidade contratou um grupo de trabalho de sistemas massivos de dados digitais para atender às necessidades e identificar e avaliar possíveis soluções”, afirmaram em um briefing.

Sob proteção da Fundação Nacional de Ciências (NSF, na sigla em inglês), as agências financiariam equipes para identificar “rastros digitais” de indivíduos e grupos, decifrando quaisquer padrões significativos e rastreando suas futuras trilhas digitais. Caso o projeto desse certo, um grande número de empresas de tecnologia se beneficiaria com isso, e a Google foi uma delas.Além disso, foi alocada uma doação do MDDS a uma equipe de pesquisa em ciência da computação na Universidade de Stanford (em que participaram dois estudantes de pós-graduação prodígios na época, Sergey Brin e Larry Page) para criar “técnicas de otimização de consultas muito complexas, descritas usando a abordagem de ‘grupos de consultas'”.

Os resultados das pesquisas formaram exatamente o que a CIA e a NSA tanto esperavam — o Google, capaz de encontrar informações específicas em um vasto conjunto de dados.

Ao longo do desenvolvimento do mecanismo de busca, Brin informou regularmente sobre o progresso de seu projeto para o Dr. Bhavani Thuraisingham e o Dr. Rick Steinheiser, não estando nenhum deles ligados à Stanford.

“O fundador da Google, Sergey Brin, foi parcialmente financiado por este programa enquanto estudante de doutorado em Stanford, juntamente com seu assessor […] desenvolveram o Sistema Query Flocks que produziu soluções para mineração de grandes quantidades de dados armazenados em bancos de dados”, escreveu Thuraisingham.

“A última vez que nos encontramos em setembro de 1998, Brin demonstrou-nos seu motor de busca que se tornou o Google logo depois”, continuou.

Mentindo via Omissão?A sugestão de que a CIA ajudou na criação da Google, de certa forma é quase tão antiga quanto a própria empresa, e é uma alegação que a empresa nega repetida e veementemente.

Por exemplo, em 2006, foi amplamente divulgado que a Google tinha um relacionamento de longa data com agências de inteligência dos EUA, recebendo financiamento da comunidade ao longo do seu caminho. Um porta-voz da empresa refutou fortemente as alegações, referindo-se a elas como “completamente falsas“.

Além disso, o histórico oficialmente sancionado da empresa não faz referência à subvenção do MDDS, sendo o testemunho de Thuraisingham o único fato comprovatório do registro público de uma doação do MDDS a Brin e Page.

“A Google é uma empresa de mecanismos de busca cujo crescimento a trouxe para o primeiro nível […] Sua tecnologia principal, que permite encontrar páginas com muito mais precisão do que outros motores de pesquisa, foi parcialmente apoiada por esta concessão”, escreveu.

Outro fato é um artigo de pesquisa de 1998 que nomeia Brin e Page como autores, referindo-se a Brin como parcialmente apoiado por um programa de dados digitais massivos, patrocinado pela NSF.

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