Iraque condena perdão de Trump a criminosos da Blackwater

Contratados da Blackwater em uma operação na cidade iraquiana de Najaf, abril de 2004. Foto: Reprodução HISPANTV
Bagdá condena os perdões dados por Trump aos envolvidos no assassinato de civis no Iraque e denuncia que a medida contradiz o princípio dos direitos humanos e da justiça.

O presidente dos EUA, Donald Trump, na terça-feira emitiu vários indultos em favor de quatro contratados da empresa militar norte-americana Blackwater, responsável pelo assassinato de 14 civis no Iraque em 2007. Os contratados perdoados foram condenados a penas que variam de 12 anos e prisão perpétua, incluindo acusações de homicídio em primeiro grau.

Em nota divulgada nesta quarta-feira, o Itamaraty denunciou a medida, por contrariar o “compromisso” proclamado pelos Estados Unidos com os direitos humanos, a justiça e o estado de direito, além de refletir o fato de que Washington não tem levar em consideração a “gravidade dos [referidos] crimes cometidos” .

O Ministério das Relações Exteriores do Iraque destacou que a medida foi produzida ignorando a “dignidade das vítimas e os sentimentos e direitos de suas famílias”.

O governo de Bagdá pedirá, por meio dos canais diplomáticos, a Washington que reconsidere a decisão mencionada, diz o texto.

Os indultos, também censurados pelas Nações Unidas, provocaram a reação do Movimento de Resistência Islâmica do Iraque (Kataeb Hezbollah), que considerou a medida uma “ação arbitrária injusta”, reiterando a necessidade de expulsar as tropas Americanos de solo iraquiano.

Em maio de 2019, o jornal americano The New York Times  revelou que Trump havia pedido ao Departamento de Justiça os arquivos de vários casos de crimes de guerra de alto perfil, incluindo os de empreiteiros da Blackwater, para decidir possíveis indultos.

Meses depois, o inquilino da Casa Branca reintegrou Edward Gallagher ao posto de suboficial da Marinha SEAL (sigla para equipes marítimas, aéreas e terrestres da Marinha dos EUA), que foi rebaixado em julho depois de ser condenado por atirar em civis desarmados e matar um inimigo cativo enquanto estava no Iraque, pelo que foi preso em setembro de 2018.

Anteriormente, o Comitê de Segurança e Defesa do Parlamento iraquiano havia anunciado que a Blackwater – condenada por cometer crimes de guerra e matar civis na guerra que os EUA orquestraram no Iraque – entrara no país árabe com outro nome para reativar o Grupo terrorista Daesh.

Fonte: HISPANTV

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