Linha de ônibus coletivo em Salvador circula com filtro anticovid no sistema de ar-condicionado

Foto: Divulgação

Equipamento é produzido pela startup Salvar que também produz filtros para diversos modelos domésticos e industriais de ar condicionado.

A linha de ônibus coletivo operada pela OT Trans em Salvador (Ba) acaba de receber a instalação  de um filtro anticovid no seu sistema de ar-condicionado. Desenvolvido pela startup Salvar, o filtro tem capacidade de eliminar até 99,9% das cargas virais – incluindo o coronavírus e até 80% de fungos e bactérias. O filtro já está instalado em 92 ônibus da OT Trans que operam com ar-condicionado e circulam por 15 linhas da cidade. Também já está em fase de testes e validação a aplicação do filtro no metrô de Salvador.

O equipamento, que também pode ser instalado em diversos modelos de aparelhos de ar condicionado domésticos e industriais, foi desenvolvido por meio de parceria entre a startup Salvar (BA), a unidade da organização social da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e o Senai Cimatec.

Por sua natureza coletiva, o ônibus é um dos maiores riscos diários de contaminação da Covid-19. Muitas pessoas que dependem desse meio de transporte ficam aglomeradas, em um ambiente com pouca ventilação e fechado, o que acaba proporcionando que o vírus se espalhe e fique suspenso no ar.

A solução pensada pela Salvar ajuda a conter os vírus em transportes que tenham sistema de refrigeração porque o equipamento atua como uma barreira filtrante, retendo e inativando a carga viral presente no ar que passa pelo aparelho de ar condicionado. “Colocando o nosso filtro, o ar que fica sempre circulando dentro do ônibus e que pode estar contaminado é puxado pelo ar-condicionado, passa pelo filtro e tem 99,9% da carga viral eliminada. Depois, ele volta para o ônibus. Ou seja, vem para o aparelho contaminado e volta filtrado”, explica Loyola Neto, idealizador do filtro, fundador e CEO da startup Salvar.

Para aplicação do filtro no ônibus foram realizados três meses de testes e estudos. Leonardo Santiago, co-fundador da ArejaBus, que também participou dessa fase junto a OT Trans afirma “Fizemos uma série de testes para validar o melhor modelo que se adequasse ao ar condicionado dos ônibus e também validamos que o filtro de fato retém partículas muito menores do que os filtros normais conseguem. Além disso, analisamos o rendimento térmico do ar-condicionado com o filtro”.

O filtro não exclui cuidados como uso de máscara,  higienização das mãos e distância de aglomerações, mas se torna mais um grande aliado na luta contra o coronavírus e demais doenças infecciosas que possam ser ocasionadas por vírus e bactérias através do ar. Além da linha de ônibus, o filtro já está presente em 185 empresas, em 8 diferentes estados, contando com cerca de 13.950 filtros instalados.

O risco de contaminação em ambientes fechados e climatizados

Estudos comprovaram que a covid-19 pode ser transmitida pelo ar, principalmente em locais fechados equipados com aparelhos de climatização, isso porque partículas contagiosas, os chamados aerrossóis, podem ficar suspensas no ar durante horas. “Como não há troca de ar em ambientes fechados e climatizados essas partículas contagiosas podem potencializar o risco de contaminação”, explica Loyola Neto.

Nesses ambientes, mesmo com o distanciamento e a utilização de máscaras pode acontecer a contaminação cruzada, através do contato dos aerossóis com os olhos, de falhas na vedação das máscaras ou da contaminação de superfícies.

Características do filtro para ar condicionado e como ele funciona

Atualmente os modelos de ar-condicionado possuem diferentes tipos de filtros, mas que atuam apenas como barreira mecânica à poeira ou partículas maiores suspensas no ar. O equipamento desenvolvido pela Salvar faz com que o ar que entra no aparelho passe por uma barreira filtrante, retendo nanopartículas com tamanhos dos agentes infecciosos virais e bacterianos e evitando que estes retornem ao ambiente fechado.

Produzido com matéria-prima composta por barreiras físico-químicas, o filtro apresenta potencial de inativação de 99,9999% da carga viral. Os dados informados passaram por testes em laboratórios certificadores. De acordo com Loyola Neto, os filtros serão confeccionados em modelagem ajustável de modo que atenda a diversos tipos de climatizadores, domésticos ou industriais.

O filtro também acompanha um selo de garantia: o selo Ponto Azul que identifica e assegura a presença do filtro naquele local. A vida útil do acessório depende de fatores como o tempo de operação do climatizador e a quantidade de partículas (poeira) em suspensão no ambiente, podendo atingir uma durabilidade de 3 meses, conforme recomendação da Resolução – RE n°9 da ANVISA.

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