“Não sei o que vou fazer”: relatos de quem tem no auxílio emergencial sua única renda

Créditos da foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Eu estou ficando quase doida já”, desabafa a diarista Isabel Gonçalves, de 45 anos, ao falar sobre as estratégias mentais que traça incessantemente para tentar lidar com o fim do auxílio emergencial. A verba terá sua última parcela repassada aos cadastrados neste mês de dezembro, por decisão do governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

Além da interrupção, desde outubro de 2020 os recebedores do direito lidam com a diminuição do valor aprovado em março pela Câmara dos Deputados, que era de R$ 600, mas, por decisão do presidente, passou para R$ 300.

Isabel, mais conhecida como Belinha, é hipertensa e é pré-diabética, compondo o grupo de risco da covid-19. Ele teme voltar às ruas de Belo Horizonte para trabalhar, enquanto os números oficiais sobre a pandemia na capital mineira e em Minas Gerais anunciam que o coronavírus avança cada vez mais, aumentando, inclusive, as ocupações dos leitos de UTI por todo o estado.

“Eu tenho medo de ir para rua e, você sabe… Mas não vai ter jeito. Não vai ter. Meu menino, de 17 anos, você tem que ver, já colocou currículo em todos os lugares, está se oferecendo pra trabalhar em obra. Só que ninguém chama, ninguém oferece nem um bico”, relata.

Sou artesão, ganho dinheiro semana sim, semana não. Estou muito preocupado

Belinha diz que tem muito medo de adoecer, mas também tem medo da fome. Além disso, por estar com um problema nas juntas das mãos e sentindo muita dor, deve, por indicação de um médico ortopedista, iniciar fisioterapia o mais rápido possível. Porém, ela não sabe como irá conseguir o dinheiro da passagem.

“Eu fazia uma faxina fixa e as pessoas [da casa] continuam me pagando. Isso, junto do auxílio, que está ajudando eu e meu filho a comer, a pagar minhas contas, porque é pouco dinheiro e não dá com o preço do arroz, do gás, da carne. E mês que vem eu já não sei mais como vai ser”.

Sem garantia de saúde física, quem dirá mental

Outra jovem que, assim como o filho de Belinha, tentou arrumar emprego na pandemia é Gabriela Sales, de 21 anos. Desempregada desde agosto de 2019 e sem sucesso na busca por trabalho em 2020, ela começou a receber o auxílio no mês de março.

Usou os R$ 600, e agora usa os R$ 300, para pagar os remédios do tratamento psiquiátrico que faz. O custo dos remédios fica em torno de R$ 300, podendo ser um pouco mais caro. A mãe, que costuma auxiliá-la quando precisa, foi demitida com o início da pandemia no Brasil.

“Com R$ 600 eu conseguia pagar meus medicamentos, ajudar em casa e comprar alguma coisa para mim, se sobrasse algo. Agora está difícil, pago o meu remédio e não sobra nada. Não sei como vou fazer. Sem o auxílio e sem bicos, vou ter que depender de ajuda de parentes. Isso se eles tiverem dinheiro para me ajudar… Senão simplesmente vou ter que interromper o tratamento”, afirma.

Insegurança

A história se repete com o artesão Edvaldo Gilbert Neri, de 24 anos, morador de Montes Claros, no Norte de Minas, que procura há meses por um bico. Nada ainda.

Auxílio chega a 126 milhões de pessoas, 60% da população

Ele declara que com os R$ 300 do auxílio consegue arcar com a feira/alimentação, com a sua conta de água – que aumentou de R$ 40 para R$ 80 em época de coronavírus -, e com a conta de luz, que tem vindo mais de R$ 100.

“Sou artesão, então ganho dinheiro uma semana sim, uma semana não. Eu realmente estou muito preocupado, não sei como vai ser”.

A fome e o desemprego

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no Brasil bateu recorde e atingiu 14,6% no último trimestre (encerrado em setembro), correspondendo a mais de 14 milhões de pessoas. Essa é a maior taxa já registrada na história da pesquisa, iniciada em 2012.

Segundo outro estudo do IBGE, em 2018 o Brasil voltou a integrar o Mapa da Fome, do qual havia saído em 2014.

O valor da cesta básica, em levantamento do Departamento Intersindical de Estatística de Estudos Socioeconômicos (Dieese), registrou alta em pelo menos 16 capitais no país. Em Belo Horizonte o crescimento foi de 6,88%, tornando a cidade a nona capital na lista de maiores preços. No município, o auxílio emergencial não é suficiente para pagar a cesta, que custa R$ 552,37.

Auxílio emergencial

O pagamento do auxílio chega hoje a mais de 126 milhões de pessoas, o que representa 60% da população brasileira, segundo o Ministério da Cidadania. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, desde maio, 15 milhões de brasileiros saíram da extrema pobreza por causa do benefício.

 

Fonte: Brasil de Fato

1 COMENTÁRIO

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