Representante do Irã na ONU acha apelo dos EUA ao cumprimento total do JCPOA um ‘absurdo’

© REUTERS / Raheb Homavandi

Segundo Ismail Baqai Hamaneh, representante permanente do Irã na ONU, os EUA, como lado “culpado”, não podem impor condições estando fora do acordo nuclear, e precisam primeiro voltar ao tratado.

O apelo de Washington para que Teerã cumpra plenamente os termos do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês), ou acordo nuclear, é um absurdo, pois os próprios EUA estão fora dele, afirmou Ismail Baqai Hamaneh, representante permanente do Irã no escritório da ONU em Genebra, Suíça.

“É um absurdo pedir novamente ao Irã que volte a cumprir plenamente o acordo enquanto você se retira do acordo e viola completamente seus termos, ou continua não cumprindo suas obrigações”, disse o representante permanente iraniano durante coletiva virtual sobre desarmamento.

Hamaneh acrescentou ser responsabilidade do “culpado” retornar ao acordo, renegociá-lo e compensar os danos, e também provar que não mais se desviará dos termos do acordo.

Programa nuclear do Irã

Na terça-feira (23), Edward Price, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, disse que o Irã devia responder a solicitações da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre vestígios nucleares supostamente encontrados pela organização no país “em locais onde não deveriam estar”.

Em 2015, vários países, incluindo os próprios EUA e Irã, assinaram o JCPOA, com o objetivo de limitar o enriquecimento de urânio por parte de Teerã que pudesse levar ao desenvolvimento de um arsenal nuclear próprio, e removendo sanções em troca.

No entanto, em 2018 Washington se retirou do acordo e impôs sanções econômicas à nação persa, levando as autoridades iranianas a se afastar gradualmente dos termos do acordo nuclear e enriquecer urânio a níveis cada vez maiores.

A administração Biden vem expressando vontade de regressar ao JCPOA, mas sugerindo que o Irã cumpra imediatamente os termos originais, enquanto Teerã exige primeiro o cancelamento de sanções por parte dos EUA.

 

Fonte: Sputnik Brasil

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