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Quinta , 02 de Outubro de 2014
Postado em 08/02/2012 ás 19:07

“O Governo do Estado errou na greve da PM”

 
Dilgaçãovu
Diagnóstico é do Coordenador do Observatório Interdisciplinar de Segurança Publica da UNIFCAS, Carlos Costa Gomes; ele aponta que o primeiro erro do governo foi negar a existência da paralisação e segundo foi "mandar prender, ao invés de dialogar" Elieser Cesar _Bahia247 Um dos maiores especialistas em violência urbana na Bahia, coronel da reserva do Exército e coordenador do Observatório Interdisciplinar de Segurança Publica da UNIFCAS, o professor Carlos Costa Gomes acusa o Governo do Estado – comandado pelo –ex-sindicalista Jaques Wagner – de haver empregado uma estratégia equivocada no começo da greve dos policiais militares baianos, contribuindo, desse jeito, para a radicalização do movimento. Para Costa Gomes, o Governo não só subestimou o potencial de mobilização dos policiais militares como também provocou a situação atual de acirramento dos ânimos, com a Assembleia Legislativa, na qual se encastelaram boa parte dos policiais rebelados, transformada numa praça de guerra e o medo sobressaltando a população. "O Governo do Estado errou. Primeiro, ao negar o movimento, o que representou um desafio para os policiais em greve que tiveram que apresentar uma resposta, esta que vemos nas ruas de Salvador e das principais cidades do interior do Estado. Depois, ao tomar medidas refletivas imediatas, optando por prender os líderes do movimento, em lugar de iniciar as negociações", avalia Costa Gomes. Para ele, se o Governo do Estado tivesse reconhecido o movimento da PM baiana, num primeiro momento, a situação, hoje, seria outra, e não de acirramento dos ânimos, como convocar o Exército e Força Nacional para policiar o Estado. Ex-aluno de ciências militares da Academia Militar dos Agulhas Negras, com mestrado na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e doutorado na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, o professor Costa Gomes vê um elo histórico entre as greves da PM de 1981, de 1992 e 2011, observando que, de lá para cá, houve uma espécie de "aprendizado da violência". "São 30 anos sem se resolver a situação da Polícia Militar". O coronel da reserva de Exército cita como falta de seriedade no tratamento das reivindicações da PM a recusa de se pagar a Gratificação de Atividade Policial (GAP), objeto de um acordo ainda não cumprido. Na conversa com o Bahia247, o professor deixou claro que não compactua com ninguém que interdita ruas e amedronta a população com armas, "pois isso é crime e quem cometeu crime deve responder por ele". O especialista em violência urbana não acredita que a desmilitarização da PM, como defendem alguns setores, seja a solução para os problemas históricos da corporação, "até porque a polícia mais respeitada da América Latina, os carabineiros do Chile, é militarizada". Já no nono dia da greve dos PMs baianos, o professor Costa Gomes observa o panorama da greve e define: "a situação é complicada!".
 
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