Paris, (Prensa Latina) O ministro francês da Reativação Produtiva, Arnaud Montebourg, criticou hoje a estratégia adotada pela empresa automobilística PSA Peugeot Citroen, que deve fechar oito mil postos de trabalho e fechar a planta de Aulnay.
"Nós temos um verdadeiro problema com a estratégia adotada nos últimos anos pela Peugeot, a aliança com a General Motors e o comportamento com os acionistas", disse o ministro.
Montebourg recordou que há três anos a empresa automobilística despediu 1.700 operários na fábrica de Rennes.
O plano de supressão em massa de postos de trabalho, anunciado na semana passada pela companhia para reduzir custos e manter os ganhos, provocou uma forte onda de rejeição, tanto dos sindicatos, como do governo.
O presidente François Hollande considerou inaceitável o programa e qualificou-o de choque brutal para os assalariados.
Para Jean-Pierre Mercier, delegado da Confederação Geral do Trabalho na empresa automobilística, "fechar uma fábrica e deixar na rua os operários em tempos de crise é um crime social".
Em um artigo publicado nessa quarta-feira, o jornal L'Humanité considera que o governo dispõe de uma ampla gama de possibilidades para convencer a direção da empresa a deixar de tratar os empregados como uma variável de ajuste destinada a pagar as consequências de seus erros estratégicos.
Adotar medidas fiscais, legislar sobre o desemprego e proibir as demissões econômicas quando se pagam dividendos aos acionistas, são algumas delas, assinala.
"E temos que lembrar que um Estado tem a faculdade de nacionalizar, total ou parcialmente, uma sociedade para defender o interesse nacional", acrescenta o artigo do jornalista Jean-Paul Piérot.
Agrega que não é difícil demonstrar que a liquidação da planta de Aulnay seria um duro golpe à recuperação produtiva e às condições de vida de milhares de trabalhadores.
O ministro francês de Reativação Produtiva se reunirá hoje com o diretor da PSA Peugeot Citroen, Philippe Varin, após ter recebido ontem os sindicatos.
Nesse país o índice de desemprego cresceu nos últimos anos até chegar aos 10 por cento da população em idade economicamente ativa, o que significa que três milhões de pessoas estão sem trabalho.