Vida de cachorro é questão política. Reaja

Postado em 17/12/2018 10:56 - Atualizado em: 17/12/2018 10:57
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Jolivaldo Freitas*

Tem quem ache que ao invés da sociedade se preocupar com a vidados animais, deveria mesmo é estar focado nos problemas das famílias carentes, das crianças abandonadas e dos deserdados da sorte. É uma ideia que não dissolve a outra, pois todos devem ser contemplados com políticas públicas. Os animais também merecem atenção especial e nem vou dizer que pela dedicação insana aos humanos, pela alegria que traduzem e outros itens que demandaria m uito espaço para revelar.

Mas, Salvador que tem mais de 200 mil cães e gatos pelas ruas é uma cidade inóspita para os animais. E pior ainda para aqueles que se dedicam a levar uma vida de cuidador de animais, pois vivem de pedir favores. E passam o tempo, perdendo tempo, tentando conscientizar o “animal” da sua rua – minha, sua e deles – de que não abandone os cães e gatos na sarjeta; providenciem a castrações; busquem ajuda para que os animais não sofram.

O que deixa um pouco de esperança no trato da sociedade, de você e todo, com os animais é ver que um problema como o ocorrido em São Paulo num supermercado da rede francesa Carrefour gerou uma consternação nacional. O cão foi morto a paulada por um segurança – que diz que não foi intencional, vá saber – e a comoção chegou às rias de obrigar o supermercado a adotar uma política de orientação dos seus funcionários e a oferecer, a partir de agora apoio às Ongs e aos cuidadores ou protetores.

Mas, voltando a Salvador, os cães de rua ou os cães e gatos que estão em canis e gatis aos borbotões ou os proprietários de cães que não têm condições econômicas passam por dissabores inenarráveis. Basta ver que uma consulta custa em média R$100. Um ultrassom mais de R$ 200. Pare e imagine um canil ou gatil com mais de 200 animais quanto custa fazer o acompanhamento médico, a prevenção, a vacinação? Os voluntários têm de sair batendo de porta em porta pedindo para que as clínicas veterinárias façam o favor de oferecer atendimento gratuito. Coisa que não é fácil uma vez que para as clínicas – embora muitos tenham boa vontade – é perda de tempo e dinheiro.

Por outro lado, os laboratórios que detêm as patentes dos remédios e hoje, com o aumento no número de famílias que têm animal em casa e o aumento no número de clínicas – não fazem sua parte, que seria apoiar as Ongs, os cuidadores, oferecendo amostras grátis ou auxiliando com pessoal especializado. Estão ganhando rios de dinheiro: basta ver que um remédio contra pulgas vai de R$50 a R$200…… e não estão nem aí.

Salvador precisa de clínicas e hospitais veterinários públicos – e não interessa se é o governo estadual ou a prefeitura municipal a quem cabe cuidar do assunto -, mas que é um hiato é. Basta ver que nem nas campanhas para governador ou prefeito a defesa dos interesses dos animais e das Ongs caem na pauta. Enquanto isso somente o Hospital Veterinário da UFBa atende, mais ou menos de graça, mas não tem capacidade de atender a todos os casos que chegam lá, principalmente de cirurgias.

Fiquei feliz com a atitude da Câmara Municipal de Salvador que acaba de aprovar o primeiro Conselho Municipal Bem-Estar, Proteção e Defesa dos Animais. O Projeto de Lei Nº 297/18 de autoria da defensora da causa animal, a vereadora Marcelle Moraes conjuntamente com o Executo Municipal agora segue para sanção do prefeito ACM Neto e servirá como modelo para todo o país, de forma pioneira e vai ser um fórum para tratar das questões de defesa dos animais. É uma forma de pressionar o município para dotar a cidade de condições essenciais para a vida de cachorro que até os gatos, jegues, aves e tantos outros enfrentam, até micos. A Assembleia Legislativa bem poderia deixar de dar uma de avestruz e seguir na mesma linha.

E a vereadora Ana Rita Tavares? A mulher foi eleita com base na causa dos animais e votou contra o conselho? Ela bem podia se explicar melhor. Talvez tenha uma ideia melhor, pois de esquizofrenia não deve sofrer.

*Escritor e jornalista: Jolivaldo.freitas@yahoo.com.br

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