Acordo de segurança entre Austrália, EUA e Reino Unido ameaça comércio da China, afirmam analistas

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O novo acordo de segurança entre a Austrália, Estados Unidos e Reino Unido é considerado um passo contra a China. No entanto, o apetite insaciável chinês por recursos deverá limitar sua resposta de retaliação, segundo analistas.

O acordo de segurança da Austrália com as potências ocidentais, incluindo o acesso às tecnologias de submarinos nucleares norte-americanos, será visto por Pequim, envolvido em uma longa briga comercial com Camberra, como uma ameaça, disse Michael Sullivan, o professor de Relações Internacionais na Universidade Flinders (Austrália).

“A China verá a decisão de expandir a cooperação militar com os EUA e o Reino Unido e, no futuro, a implantação de capacidades de ataques estratégicos dos EUA na Austrália, como a confirmação de que somos uma ameaça militar crescente para seus interesses, como a iniciativa da Nova Rota da Sede”, afirmou Sullivan, citado pela Reuters.

Nos últimos anos, a China impôs altas tarifas e restrições para as exportações australianas, incluindo o vinho, carne bovina e cevada e proibiu totalmente as importações de carvão.

As quantias em risco são enormes, dado que a Austrália exportou US$ 127 bilhões (R$ 663 bilhões), na maioria matérias-primas, para a China nos últimos 12 meses, representando mais de 35% do total das exportações australianas.

O maior produto de exportação australiana para China é o minério de ferro. As minas chinesas produzem apenas 15% da quantidade necessária deste minério. Uma outra fonte internacional do produto é o Brasil.

“Se a China simplesmente parasse de importar, seria um desastre para a Austrália”, afirma Shane Oliver, economista-chefe da AMP Capital. “Mas isso significaria essencialmente que a China também teria de fechar grande parte de sua própria economia”.

“A Austrália foi capaz de encontrar novos mercados para suas exportações. Então, embora as tensões com China sejam uma ameaça, o impacto não foi realmente grave até agora”, adicionou.

Fonte: Sputnik Brasil