Angélica Duarte lança seu álbum de estreia “Hoje tem”

Foto: Nathalia Atayde/ Divulgação

Com participações de Letrux e Juliana Linhares, cantora e compositora paulistana passeia entre o rock, o pop e a MPB em dez faixas com questionamentos sociais e pessoais do mundo moderno

Em seu álbum de estreia “Hoje tem”, a cantora e compositora Angélica Duarte alcança uma maneira interessante e autêntica de narrar o universo feminino contemporâneo. Na verdade, ela vai além e faz uma série de questionamentos pessoais, políticos e sociais através de sua poesia, irreverência, atitude, sensualidade e uma sonzeira deliciosa nas dez faixas que compõem seu disco. Com produção de Lourenço Vasconcellos e da própria Angélica, “Hoje tem” traz participações especiais de Letrux e Juliana Linhares e chega nesta sexta às plataformas digitais através da Tratore.

Notoriamente, Angélica arquitetou toda a construção e execução das canções com capricho. Para a artista de 32 anos foi preciso uma grande dose de coragem para lançar seu primeiro trabalho autoral, e com os arranjos já prontos ela uniu uma banda de primeira que fala muito bem sua língua e trouxe uma narrativa moderna aliada a uma estética pop chique, presente tanto no resultado das músicas, quanto na capa criada pelo Movimento1989 através de foto de Nathalia Atayde.

Todas as composições foram feitas por Angélica. A única parceria é com Gabi Buarque em “Mais discreto” música que conta com a participação especial da cantora Juliana Linhares e ganhou um videoclipe lançado no mês passado. “Estou bastante contente com a carinha do disco. Parece de rock, mas são muito caminhos. Começa com uma música de quatro acordes, mais vibrante e depois vai ficando mais melancólico e complexo harmonicamente”, analisa a artista paulistana radicada no Rio de Janeiro.

Aliás, as andanças pelo Rio, cantando Caetano Veloso pelos bares e conhecendo de perto a MPB carioca está muito presente em “Hoje tem”. Assim como a guitarra, que a estudante de arranjos da UNIRIO voltou a tocar no período de construção deste álbum. “Foi fundamental esse retorno à minha adolescência indie, quando eu escutava Pink Floyd, Pj Harvey e Radiohead. Acho que a MPB tem se rendido à força e sonoridade do rock e vejo isso bem presente do meu disco. Ficou com a cara do rock e da MPB anos 70”, opina.

A cantora enxerga o universo feminino como tema central do disco. “Aliás, a faixa-título é um desabafo sobre o que é ser uma mulher na nossa sociedade, para mim e para tantas outras que sofrem coisas que eu jamais poderia imaginar”, conta. “Essa ideia de sermos a cuidadora, o sexo frágil, o pedaço de carne está longe de ser extinta. Por isso é importante falar de autonomia na sua vida sexual, valorização de si mesma e questionar até quando nós mulheres iremos nos moldar a desejos e padrões que não são nossos”, defende.

Para ela, “Hoje tem” é sobre existir e resistir. “Vivemos um momento difícil, a situação política é triste e precisamos recorrer às nossas alegrias que muitas vezes estão só na memória. A música está aqui pra lembrar porque a gente tem orgulho de ser brasileiro e gosta tanto de ter nascido aqui. Meu desejo é que num futuro não tão distante a gente possa fazer shows porque aí é que a magia acontece de verdade”, torce.

Enquanto a artista não mostra toda visceralidade nos palcos, ouvir “Hoje tem” é um alento. Uma mistura de rock, pop e mpb cantada com um timbre suave e um sotaque paulistano arrebatador. Em sua estreia, Angélica Duarte já mostra que veio para ficar e para ir além dos tempos cantando o seu agora.