Angelo valoriza projeto para revitalizar Parque de Exposição de Feira de Santana e critica corte orçamentário na Agricultura

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A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) vão investir cerca de R$ 10 milhões na implantação de uma escola técnica, uma faculdade de aprendizagem rural e num centro nacional para os amantes dos cavalos, no Parque João Martins da Silva. A ação faz parte do projeto para transformar o espaço em um ambiente negócios e aprendizado agropecuários, além de lazer, entretenimento e eventos diversos ao longo do ano. Os detalhes da proposta foram apresentados ao prefeito Colbert Filho e ao presidente da CNA, João Martins da Silva, na sede da Faeb, na última sexta-feira (5).

Defensor da agricultura familiar, que é uma das principais bandeiras de mandato, o deputado estadual Angelo Almeida (PSB) ressalta a importância do projeto para a valorização e crescimento agrícola do município, e aproveita o ensejo para chamar a atenção do corte no orçamento da Secretaria de Agricultura de Feira de Santana (Seagri). Para ele, a redução oramentária não faz sentido e reduz a importância da zona rural, além de gerar mais dificuldades do que as já existentes para a população dos distritos.

“Enxergamos com otimismo a proposta para ampliar as atividades do Parque de Exposição. Isso, sem dúvida, vai gerar novos ambientes de negócio e também de aprendizado para jovens, que terão a oportunidade de aperfeiçoar os conhecimentos, produzir e se manter na zona rural. O outro ponto é que nosso município detém 8 grandes distritos e essa ação a favor do Parque nos dá a expectativa de que melhorias possam ser levadas também para o ambiente rural, o que não vem acontecendo. Pelo contrário, o orçamento destinado aos distritos reduziu”, critica Angelo.

O parlamentar ressalta a incoerência no orçamento de Feira de Santana em relação à zona rural. Em 2012 o orçamento no município era R$ 659.795.267,00 e para a Seagri foram destinados R$ 6.200.000,00. Já em 2021, com um orçamento de R$ 1.464.824.000,00, o orçamento da Seagri caiu para R$ 5.180.000,00. “A prefeitura de Feira nesses anos todos praticamente renegou a zona rural. Proporcionalmente, o orçamento deveria estar em torno de R$ 13.640.000,00. Não há justificativa para essa redução”, ressalta Angelo.

O deputado destaca ainda que segundo dados do Censo Agropecuário, Feira tem 9.191 agricultores em estabelecimento da agricultura familiar, o que a torna o maior município brasileiro com essa característica. “Isso é um motivo ainda maior para que a zona rural receba a devida valorização e mais investimentos. É o que os distritos precisam, não corte de um orçamento que já não tem atendido as necessidades básicas de transporte, saúde, escolas e assistência a jovens para aprenderem, produzirem e gerarem renda no local onde vivem, sem sentir necessidade de sair em busca de oportunidade nos centros urbanos”, assinala.

Problemas na zona rural

Mesmo com o número alto de pessoas envolvidas com agricultura familiar, comparado a outros municípios brasileiros, a zona rural de Feira de Santana também sofre os efeitos do esvaziamento populacional e de trabalhadores agropecuários. Este é um problema que tem percorrido décadas e segue necessitando de medidas na atualidade.

Uma outra questão é que parte dos moradores que permanecem nos distritos adquiriu um modo de viver urbanizado, decorrente inclusive da falta de incentivo público na zona rural, o que gera, dentre outros problemas, uma demanda maior por transporte para deslocamento para a cidade. Além disso, os moradores da zona rural enfrentam o desestímulo das escolas locais. Muitas foram fechadas e jovens e crianças também são transportados para a cidade. E aí entra mais um outro problema que é a falta de estrutura das estradas.

“Todos esses problemas apontados inclusive por morador que ouvimos, além de outros como a questão da saúde pública da zona rural, carecem de atenção, de ações que revertam ou pelo menos amenizem os danos. Como isso vai ser feito diminuindo um orçamento que já não é suficiente? A imensa zona rural de Feira precisa ocupar o lugar de importância que é dela”, finaliza Angelo.