Bolsonaro é uma das maiores ameaças aos direitos humanos na América Latina, diz Human Rights Watch

Kenneth Roth, diretor-executivo da entidade Human Rights Watch (Foto: Reuters)

O diretor-executivo da organização internacional não-governamental Human Rights Watch, Kenneth Roth, afirmou que Jair Bolsonaro representa uma das “maiores ameaças aos direitos humanos na América Latina”. Às vésperas da primeira reunião do ano do Conselho de Direitos Humanos da ONU, a partir de segunda-feira (22), o ex-procurador federal dos EUA e uma das vozes mais ativas no campo dos direitos humanos no mundo, o norte-americano disse que há “uma séria deterioração no campo dos direitos no Brasil”.

“E vemos isso tanto com Bolsonaro dando luz verde para ataques contra defensores do meio ambiente, abrindo caminho para as queimadas na Amazônia, vemos na deferência que ele concede à polícia que atira em suspeitos nas favelas, vemos em seus ataques contra a sociedade civil”, disse Rocht à coluna de Jamil Chade.

De acordo com o dirigente, o Brasil pode ser qualificado como uma “democracia que tem um líder autoritário que tem sido desastroso para tudo, desde pandemia à proteção de pessoas”.

“Mas trata-se de uma sociedade que está conduzindo uma autocorreção importante”, afirmou. “Ainda que ele (Bolsonaro) seja uma das maiores ameaças aos direitos humanos na América Latina, quero dar crédito às pessoas e as instituições democráticas por lutar de forma tão vigorosa até agora”, acrescentou.

Para a reunião do conselho da ONU, o Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e pela ministra de Família, Mulheres e Direitos Humanos, Damares Alves. De acordo com o Itamaraty, em sua intervenção, Araújo “tratará dos persistentes desafios às liberdades fundamentais e aos direitos humanos no mundo hoje”.

Damares indicou que irá relatar o que o governo tem feito em sua resposta à pandemia da covid-19. A reunião, porém, será marcado por um tsunami de denúncias contra o Brasil por parte de governos estrangeiros, relatores da ONU e dezenas de ongs.

 

Fonte: Brasil 247