Caminhoneiros são mortos no Saara Ocidental em meio a tensões entre Argélia e Marrocos

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O ministro das Relações Exteriores da Argélia, Ramtane Lamamra, comunicou na quinta-feira (4) para ONU, União Africana, Liga Árabe e para Organização de Cooperação Islâmica sobre um bombardeio que vitimou três caminhoneiros argelinos.

De acordo com o The Washington Post, os caminhões estavam saindo da capital da Mauritânia, Nuakchott, em direção à cidade argelina de Ouargla, como parte de “trocas comerciais normais”, quando foram interceptados.

Citando provas não específicas, o gabinete presidencial da Argélia disse que as forças de Marrocos no Saara Ocidental foram as responsáveis.

O presidente argelino, Abdelmadjid Tebboune, avisou que tal bombardeio, supostamente ocorrido em 1º de novembro, “não ficará impune”.

Não houve resposta imediata do governo do Marrocos, e as Forças Armadas da Mauritânia emitiram um comunicando que não alvejaram os caminhões argelinos. Por sua vez, as autoridades da Argélia já começaram a investigar o incidente.

No último ano, as relações entre a Argélia e o Marrocos têm se intensificado devido a seus desentendimentos sobre o território do Saara Ocidental.

No final de agosto de 2021, a Argélia cortou relações diplomáticas com o Marrocos, acusando o país vizinho de “ações hostis”. Dois meses mais tarde, as autoridades argelinas decidiram fechar o espaço aéreo do país para todos os aviões civis e militares marroquinos.

As duas nações norte-africanas têm estado por muito tempo em desacordo sobre o controle do Saara Ocidental, antiga colônia da Espanha transferida para o Marrocos e a Mauritânia em 1973. Três anos depois, a Frente Polisário, da qual a Argélia é considerada a principal apoiadora, estabeleceu a República Árabe Saaraui Democrática (SADR, na sigla em inglês, parcialmente reconhecida) em uma pequena parte do território disputado.

Marrocos, que controla a maior parte do Saara Ocidental, tem exigido a autonomia da região, enquanto a Organização das Nações Unidas e a SADR são a favor do referendo sobre sua autodeterminação.

Fonte: Sputnik Brasil