Em homenagem ao Dia Mundial da Poesia, espetáculo “Harpas do Mondego” acontece neste domingo, dia 14, com transmissão ao vivo por streaming

Harpistas-francesas-Claire Le Fur e Ornella Vargas. Foto de Christine Vargas

O espetáculo, que acontecerá na Universidade de Coimbra (UC), às margens do Rio Mondego, terá várias intervenções de artistas e personalidades de outros países,

como a baiana Bruna Cavalheiro, que recitará um poema em alusão ao relacionamento abusivo

Em homenagem ao Dia Mundial da Poesia, o rio Mondego de Coimbra, em Portugal, será palco, neste domingo, dia 14 de março, às 20 horas (17 horas no Brasil), do recital “Harpas do Mondego. A poesia à margem…”. O espetáculo reunirá poesia, intervenções artísticas e musicais e concerto de harpas ecoadas da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia (UC), que concentra maior número de estudantes brasileiros no exterior. A tradicional Universidade, que fica às margens do Rio Mondego, é reconhecida como Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO e esse recital nasceu  do concerto dos 730 anos da instituição de ensino, realizado no ano passado.  O evento terá transmissão ao vivo (on demand) na página uc.pt/culturaemdireto.

O projeto, criado pelo produtor baiano Christiano Bomfim, foi inspirado na “Coleção de Poesias d’académicos de Coimbra Harpas do Mondego” do século XIX e  propõe um passeio poético e harmonioso, a desvendar vozes humanas à margem das máscaras impostas pela pandemia, na programação da XXIII Semana Cultural da Universidade.

O programa artístico, que contará com harpistas de diversos países, vai apresentar trechos de obras de autores portugueses mescladas com autores da literatura mundial, a exemplo de Oscar Wilde (1854 -1900). O recital conta com o apoio da Reitoria e Biblioteca Geral da UC, ICOMOS Portugal, Embaixada da Irlanda, Associação Glissando das Antilhas/França e Criola Filmes.

Do Brasil será recitado o poema “A Fonte e a Flor” do autor Vicente de Carvalho (1866-1924) pela especialista baiana em políticas públicas de enfrentamento à Violência Contra Mulher, Bruna Cavalheiro, numa metáfora ao relacionamento abusivo.

No interior da biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, as interpretações ficarão a cargo da atriz e produtora carioca Rosi Ferh e do ator português Jorge Carvalhal acompanhados da conceituada pianista Christina Margotto.

Da Irlanda terá o poema Dessespoir de Oscar Wilde na voz de Aoife Buckley, para além da atuação da dançaria Bláthnaid Keogh ao som da harpista Siobhan Bucley que executará obras como“ Southwind” do irlandês Donal Meirgeach MacConmara em homenagem ao Dia Nacional da Irlanda (Saint Patrick´s Day) em 17 de Março, para além de participações de harpistas da França, especialmente Claire Le Fur que tocará harpa entre peixes e corais no fundo do mar.

A trilha principal foi especialmente selecionada desde  “Ária” e  “Minueto” do português António Fragoso,  à “A Rosa Amarela” e “Valsa da Dor” de Heitor Villas-Lobos. O espetáculo transmitido por streaming pela plataforma da UC, será uma partilha entre os Patrimónios Mundiais Universidade de Coimbra, Alta e Sofia com a “Irish Harping Intangible heritage/UNESCO”.

Sobre as participantes brasileiras:

Bruna Cavalheiro

Brasileira, residente em Salvador, é produtora cultural e de eventos, advogada, influenciadora digital e atuante pelo fim da violência contra a mulher. Especialista em Direito Público pelo CEJAS 2018 e certificada pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra/2018. Coordenou a área de Políticas Públicas da Secretaria Municipal para Mulher /2019-2021, foi gestora do Centro de Referência de Atenção à Mulher Loreta Valadares /2019-2021 e coordenou a Campanha contra a Importunação da Mulher – PARE! 2019-2020.  Tem mais de 10 anos de experiência na área cultural e de eventos.

Christina Margotto (piano)

Brasileira, residente em Portugal desde 1988. Bacharel pela Faculdade de Artes Santa Marcelina em São Paulo, licenciada em Piano de Acompanhamento pela ESMAE do Porto e Mestre em Musicoterapia pela Universidade de Estremadura, Espanha. Estudou com Sállua Assbú, Anny Cabral Coutinho e Alfredo Cerquinho, Daisy de Lucca, Homero de Magalhães, Magda Tagliaferro, Vitalli Dotsenko e Constantin Sandu. Atua como solista e camerista e há 25 anos em duo com o violoncelista Jed Barahal pela Europa, USA e Brasil. Criou o Toy Ensemble com o qual realizou várias estreias em Portugal e Brasil. Como divulgadora da música e de intérpretes portugueses recebeu vários apoios do MC português, Instituto Camões, Fundação Gulbenkian, Antena2, Delegação de Cultura do Norte e foi congratulada com a Medalha de Honra da Fundação Carlos Gomes de Belém do Pará, atribuída por decisão unânime do Conselho Geral da Fundação. Gravou o Concerto de Carlos Seixas (Numérica, 2011), a primeira edição das Melodias Rústicas Portuguesas de Lopes Graça (Coriolan, 2011, FR), a obra completa para violoncelo e piano de Fernando Lopes Graça, e a Sonata de Luís de Freitas Branco (Numérica, 2006). Com apoio da Antena2 realizou com o Toy Ensemble  a primeira gravação de Domitila de João Guilherme Ripper (2019 MPMP digital) e com apoio da DGartes MC Português realizará em 2021 a gravação das Barcas de Gil Vivente, música de Fernando Lapa.

Integra o quadro de professores do Conservatório de Música do Porto desde 1992.

Rosi Ferh

É atriz, produtora, escritora, documentarista, contadora de histórias. Licenciada em jornalismo e pedagogia no Rio de Janeiro, tem formações também na área da Literatura e ilustração infantil. Viveu por 25 anos em São Paulo, onde consolidou projetos próprios e parcerias em teatro, música e audiovisual pela sua produtora Criola Filmes. Atualmente, morando em Lisboa desde 2017, escreveu e atuou em “Esperando Godette”, adaptação de Samuel Becket e produziu a turnê portuguesa internacional de espetáculo a “Rosa e a Semente” do Grupo Pedras em 2019. Participa de projetos humanitários de atenção à Mulher, imigrantes e refugiados pela Associação Renovar a Mouraria (RM). Recentemente participou do projeto Europeu “INTEGR8-ISQ” e na performance híbrida “Histórias daqui e além mar”. No domínio do audiovisual produziu a série documental “Krenak vivos na natureza morta”, para além dos documentários “Traço Urbano” e “A Arte de ser Músico”, ambos pelo Canal Futura.