Grandes empresas pedem protagonismo do Brasil em negociações climáticas

Empresários destacaram "vantagens comparativas extraordinárias" do Brasil na corrida para alcançar "uma economia com emissões líquidas de carbono neutras", devido ao "múltiplos recursos naturais" e "a capacidade de nosso povo". Reprodução DW

Um grupo de 107 grandes empresas e dez entidades setoriais apelou nesta segunda-feira (28/09) ao governo do presidente Jair Bolsonaro para que o Brasil busque o protagonismo nas negociações climáticas internacionais para se alcançar uma economia de baixo carbono.

“O Brasil deve mostrar a sua centralidade nesse diálogo, sob pena do enorme prejuízo ao setor produtivo e à sociedade brasileira”, afirmam as empresas numa carta aberta, que foi divulgada pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e será levada à próxima Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP26, que ocorre em Glasgow, na Escócia, de 31 de outubro a 12 de novembro.

Negociações vão ocorrer durante a COP26, na qual deverá ser regulamentado o artigo 6º do Acordo de Paris, que trata do bilionário mercado global de carbono.

O mercado de carbono é um mecanismo que permite a venda de créditos por países que limitam as emissões para nações com maiores dificuldades de cumprir as metas de redução. Um mercado regulado teria um potencial bilionário para o setor produtivo brasileiro.

O CEBDS é composto por cerca de 80 grupos empresariais que representam 47% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Entre as signatárias da carta estão JBS, Braskem, BRF, Natura, Ipiranga, Votorantin, Bradesco e filiais de grandes grupos internacionais, como Carrefour e Shell, bem como entidades setoriais do agronegócio (Abag) e da indústria (Abdib e Abimaq/Sindimaq).

Pelos cálculos do CEBDS, um mercado regulado de carbono no Brasil pode chegar a um valor entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões já nos primeiros anos de funcionamento. “É preciso a adoção de regras que possibilitem o desenvolvimento de mercados de carbono voluntário e regulado no Brasil”, diz o documento.

“Acreditamos que as discussões dos mecanismos de apoio ao objetivo de carbono neutro previstos no Acordo de Paris, a serem conduzidas em Glasgow, são uma oportunidade de estimular a economia mundial”, argumentam.

Brasil tem “vantagens extraordinárias”

Na carta, as signatárias destacam que o setor produtivo brasileiro deseja e considera possível uma transição rápida para o baixo carbono e ressaltam que elas mesmas já estão adotando medidas para isso.

Entre essas medidas estão a redução e compensação das emissões de gases causadores do efeito estufa, precificação interna do carbono, descarbonização das operações, investimentos em tecnologias verdes e metas de neutralidade climática a serem atingidas até 2050.

O grupo vê o Brasil com “vantagens comparativas extraordinárias” na corrida para alcançar “uma economia com emissões líquidas de carbono neutras”, devido ao “múltiplos recursos naturais” e “a capacidade de nosso povo”.

Para isso, porém, precisa desenvolver um “arcabouço político-regulatório” que apoie esse objetivo, em consonância com um compromisso para a preservação do meio ambiente e o cumprimento das metas de combate ao desmatamento ilegal.

Para as signatárias, o país está diante de uma “oportunidade única” de ser competitivo e melhorar as condições de vida da sua população.

Fonte: Deutsche Welle (DW)