João do Violão, uma eterna saudade!

Clarindo Silva*
Neste 10 de abril, perdemos um dos grandes agitadores da cultura brasileira. Estou me referindo ao senhor João do Violão. Certamente, muita gente de imediato me perguntaria quem é, por conta de que dificilmente as nossas emissoras de rádio fazem referência aos compositores, optando sempre por citar  tão somente o nome dos intérpretes. Certamente, as pessoas da minha geração não esquecerão  de uma composição de João do Violão, que estourou em todo o Brasil, em todas as paradas de sucesso das nossas emissoras de rádio. Está gravado na minha memória e na memória de muitos brasileiros, especialmente aqueles que gostam de uma boa música. Juntamente com seu parceiro Luiz Antônio, compôs a música “Eu bebo sim”, gravada na doce voz de Elizete Cardoso. Lembrar de João Pinheiro, ou João do Violão, é lembrar de boa cepa da cultura brasileira. João nasceu em Quixadá, uma das maiores cidades cearenses. Terra da ilustre brasileira Raquel de Queiroz! Deixou o Ceará, foi para São Paulo, onde casou com Dona Paula Flávia Pinheiro, com quem teve quatro filhos, todos envolvidos com música, arte e cultura, o que me credencia a chamá-los de paredores de talentos.  Sinto-me muito à vontade para falar, por conhecer sua única filha mulher, que fala orgulhosamente do pai, que morou em São Paulo, onde fez amizades com grandes sambistas e também compositores. Falo também de sua morada aqui na Bahia, na nossa Ilha de Itaparica, refúgio de João Ubaldo. João voltou a São Paulo, onde compôs vários sambas para a escola de samba Rosa de Ouro, durante o período do tricampeonato daquela entidade. Mas o mais importante é que tive a benção de conhecer Maria Pinheiro, sua filha, que é pedagoga, pesquisadora, instrumentista.  Juntamente com seu esposo, o jornalista e produtor cultural André Carvalho, resolveu morar aqui em Salvador. Criaram juntos o canal do YouTube “É Samba da Bahia”, que em pouco tempo mostrou grandes nomes da nossa música,  como Régis de Itapuã, Firmino de Itapuã, Guiga de Ogum e outros tantos. Graças a Deus, temos uma parceria muito forte, pois através da Lei Aldir  Blanc, nasceu “Conversa de Buzu”, o memorial da Cantina da Lua,  bem como a sexta edição de “Memórias da Cantina da Lua”. A seu João, que teve uma passagem para o outro plano muito consciente de seu papel nesse planeta, que Deus ilumine seu espírito e à família a nossa eterna lembrança. Que nessa sua nova morada, possa ajudar a fortalecer nossas lutas por um mundo melhor.
*Clarindo Silva é jornalista, poeta, escritor, empreendedor.