Líder do Hezbollah diz que abusos em Jerusalém podem gerar ‘guerra regional’ e convoca resistência

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Hasan Nasrallah afirma que a resistência não pode ficar parada caso ataques a lugares sagrados continuem em Jerusalém. Durante discurso, estado de saúde do líder chamou atenção nas redes sociais.

Nesta terça-feira (25), o líder do Hezbollah, Hasan Nasrallah, disse que qualquer violação de Jerusalém e dos locais sagrados para muçulmanos e cristãos levaria a uma guerra regional, segundo o The Times of Israel.

“Os israelenses devem entender que violar a cidade sagrada e a mesquita e santuários de Al-Aqsa não vai parar a resistência de Gaza. [Atacar] Jerusalém significa uma guerra regional. Todos os movimentos de resistência não podem ficar parados e assistir a isso acontecer se a cidade sagrada estiver em perigo real e grave”, declarou Nasrallah segundo a mídia.

A saúde do líder chamou atenção, que apareceu pálido e tossiu diversas vezes e, em alguns momentos, teve ligeiras faltas de ar durante seu discurso televisionado de 100 minutos.

Ao longo de sua exposição, Nasrallah descreveu o intenso lançamento de foguetes contra Israel pelo Hamas como uma “grande vitória”, mesmo com o fato da defesa israelense ter interceptado vários deles.

A sombra do Hezbollah permaneceu presente durante o forte conflito de 11 dias entre Israel e a Faixa de Gaza, com a possibilidade de lançar seu arsenal de mísseis – muito mais poderosos que o do Hamas – em apoio aos palestinos. Porém, o grupo permaneceu a margem do confronto e só realizou manifestações a favor de Gaza no sul do Líbano.

Em um dos dias dessas manifestações, um membro do Hezbollah foi morto quando Israel abriu fogo para repelir os manifestantes que tentavam romper a fronteira.

Membros do Hezbollah perto do caixão de Mohamed Tahan, que foi morto na cerca da fronteira com Israel, durante seu funeral em Adloun, sul do Líbano, em 15 de maio de 2021
© REUTERS / AZIZ TAHER Membros do Hezbollah perto do caixão de Mohamed Tahan, que foi morto na cerca da fronteira com Israel, durante seu funeral em Adloun, sul do Líbano, em 15 de maio de 2021

A escolha do grupo de não entrar no conflito diretamente, segundo especialistas, foi baseada em problemas financeiros e adversidades que o próprio Líbano vem enfrentando.

Na terça-feira (25), o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, chegou a Israel para encontrar o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. Durante o encontro, Blinken reafirmou o compromisso dos EUA de fortalecer a segurança de Israel e o direito de Tel Aviv de se defender contra ataques.

No mesmo dia mais tarde, o secretário se encontrou com Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina, e disse que os EUA se opõem a qualquer medida que prejudique a solução de dois Estados para o conflito israelo-palestino, além de confirmar que Washington vai continuar com o processo de reabertura de seu consulado em Jerusalém Oriental.

Fonte: Sputnik Brasil