Lula: “não podemos naturalizar a fome”

Foto: Lula (Foto: Ricardo Stuckert)

No Dia Mundial da Alimentação (16/10), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, “lamentavelmente, o Brasil não tem que festejar” nessa data. “Os preços dos principais dispararam. Alguns produtos de primeira necessidade desapareceram dos supermercados. Tudo indica que os preços continuarão subindo. É a face mais cruel do terrível fantasma da fome rondando de novo os lares de milhões de brasileiros”, disse.

“Seis anos atrás o Brasil conquistava o respeito e a admiração mundial, ao ser declarado fora do Mapa Mundial da Fome da ONU. Depois do golpe contra a presidenta Dilma, o país deu marcha a ré. Os golpistas mergulharam nosso país num poço sem fundo. Não são números do PT, são números da ONU”, acrescentou.

De acordo com o ex-presidente, “é mentira dizer que o coronavírus seja responsável pelo crescimento da fome”. “A tragédia alimentar foi provocada pelo desmonte do estado e pelo esvaziamento das políticas públicas de inclusão social após o golpe. Intoxicado pela crença de que o estado não tem papel a cumprir na economia, os governos depois da Dilma promoveram um desmonte sistemático dos estoques reguladores de alimentos”, afirmou.

“Eu não me canso de repetir que a fome é a arma de destruição em massa mais poderosa e perigosa que qualquer outra que o homem tenha inventado. A fome não mata soldados no campo de batalha, não mata inimigos, não mata terroristas. Ela mata crianças”, continuou.

Em seu discurso, Lula disse que a tragédia alimentar “foi provocada basicamente pelo desmonte do Estado e pelo esvaziamento ou abandono das políticas públicas de inclusão social após o golpe”.

“Dentro desse quadro dramático, o Bolsonaro disparou um tiro de misericórdia contra os pobres e reduziu pela metade o valor do auxílio emergencial, de 600 para 300 reais, além de excluir um grande número de beneficiários do programa. E já avisou: o auxílio emergencial acaba em dezembro, mesmo que a pandemia continue”, avaliou.

“Não podemos naturalizar a fome, como não podemos aceitar passivamente a irresponsabilidade no tratamento do Covid. O Brasil já provou que pode vencer suas adversidades. Vamos outra vez juntar forças para reconquistar a democracia, vencer o Covid, o desemprego e a fome”.

 

Fonte: Brasil 247