Mauricio Macri vira réu na Argentina por espionar parentes de vítimas de submarino naufragado

© AP Photo / Natacha Pisarenko
O ex-presidente da Argentina, Mauricio Macri (2015-2019), virou réu no caso que investiga a suposta espionagem de familiares de tripulantes do submarino da Marinha (ARA) San Juan, que afundou em 2017.

“Macri virou réu”, confirmaram à Sputnik fontes da Justiça argentina.

O juiz do caso, Martín Bava, confiscou o valor de 100 milhões de pesos (aproximadamente R$ 5,64 milhões) do ex-presidente, que também fica proibido de sair do país. Como no momento Macri está no Chile, a decisão entrará em vigor assim que ele retornar à Argentina.
Além disso, o ex-presidente não poderá ausentar-se da sua residência habitual por mais de dez dias sem avisar previamente ao tribunal. No caso de realizar “qualquer mudança de endereço”, deverá informar ao juiz.
Segundo a denúncia, foi o ex-presidente quem autorizou a espionagem ilegal das famílias das 44 vítimas. Com isso, Macri passa a ser “responsável pelo crime de realização de ações proibidas de inteligência como autor” em “concorrência ideal com o crime de abuso de autoridade de um funcionário público”, afirma a resolução judicial a que teve acesso o jornal argentino La Nación.

Entenda o caso

O caso contra o ex-presidente veio à tona quando a interventora da Agência Federal de Inteligência (AFI) argentina Cristina Caamaño entrou com uma ação judicial em 2020.
No transcorrer do processo, tornou-se pública a informação de que as ações de vigilância eram coordenadas contra os familiares dos tripulantes, a partir da base da AFI, em Mar del Plata. As ações foram realizadas sem qualquer autorização judicial ou justificativa válida.
Macri não é o único réu no caso. Outras onze pessoas, entre as quais os ex-chefes da AFI no governo Macri, Gustavo Arribas e Silvia Majdalani, e dois ex-diretores operacionais da agência, Martín Coste e Diego Dalmau Pereyra, estão na mesma situação judicial do ex-presidente.
O submarino ARA San Juan desapareceu em 15 de novembro de 2017 e apenas um ano depois foi encontrado a uma profundidade de 907 metros e a 600 quilômetros de Comodoro Rivadavia, não muito longe da área onde foram registrados seus últimos sinais.
Fonte: Sputnik Brasil