Moscou expulsa diplomatas europeus por apoio a Navalny

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A Rússia expulsou três diplomatas da Alemanha, Suécia e Polônia, acusando-os de participar em manifestações “não autorizadas” em apoio ao crítico do Kremlin Alexei Navalny, condenado a três anos e meio de cárcere. Não está claro que cargos o trio ocupa em suas respectivas missões diplomáticas.

O ministro russo do Exterior, Sergei Lavrov, declarou que “tais ações da parte [dos diplomatas] são inaceitáveis e não correspondem a seu status diplomático”. O anúncio foi feito após encontro em Moscou entre Lavrov e o alto representante para Assuntos Externos da União Europeia, Josep Borrell, nesta sexta-feira (05/02).

Segundo porta-voz de Borrell, este foi informado da extradição durante a reunião. O político espanhol “condenou severamente essa decisão e repudiou as alegações que [os funcionários] estivessem exercendo atividades incompatíveis com seu status”, portanto “a decisão deveria ser reconsiderada”.

Devido ao tratamento a Navalny, as relações entre Moscou e a UE teriam chegado a um ponto crítico, sentenciou Borrell. Em contrapartida, Lavrov classificou o bloco europeu como um “parceiro não confiável”.

Chefe de governo alemã Angela Merkel, com presidente francês Emmanuel Macron ao fundo
Em entrevista coletiva ao lado do presidente Macron, Merkel condenou medida russa

Berlim promete consequências

Durante uma coletiva de imprensa em Berlim com o presidente francês, Emmanuel Macron, a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, declarou: “Consideramos essas expulsões injustificadas e acreditamos ser mais uma faceta do atual afastamento do Estado de direito que observamos na Rússia”.

O ministro alemão do Exterior, Heiko Maas, disse que o episódio prejudica ainda mais a relações entre a Rússia e a UE, e ameaçou retribuir a expulsão, pois “caso a Federação Russa não repense esse passo, ele não permanecerá sem resposta”.

O Ministério polonês do Exterior convocou o embaixador russo. A Suécia rejeitou as alegações de Moscou como “totalmente infundadas”, reservando a seu Ministério do Exterior “o direito de uma resposta apropriada”.

Apoio popular e internacional a Nalvany

As relações entre Moscou e a União Europeia estão mais tensas desde que Navalny foi detido no Aeroporto Sheremetyevo, em 17 de janeiro. O ativista de 44 anos retornava a seu país após cinco meses se recuperando na Alemanha de uma tentativa de envenenamento com o agente nervoso Novichok, que ele atribui ao Kremlin e ao serviço secreto. Autoridades russas, inclusive o próprio presidente Vladimir Putin, têm negado envolvimento no atentado.

Na última terça-feira, o oposicionista foi julgado em Moscou por suposta violação dos termos de sua liberdade condicional, num processo considerado meramente político por muito, sendo condenado a cumprir no cárcere os restantes dois anos e meio da sentença.

Manifestações em massa exigindo a libertação de Navalny e a renúncia de Putin varreram o país nos últimos dois fins de semana. Mais de 10 mil participantes dos protestos foram detidos pela polícia. Nesta quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, exigiu que a Rússia liberte o ativista, sugerindo eventuais sanções caso isso não ocorra.

 

Fonte: Deutsche Welle (DW)