OMS alerta: ômicron é mortal e não deve ser subestimada

Reprodução DW

O diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou nesta quinta-feira (06/01) que a variante ômicron do coronavírus tem causado hospitalizações e mortes em todo mundo e que, por isso, não pode ser subestimada. Tedros também disse, durante entrevista coletiva, que a nova cepa está ultrapassando rapidamente o número de contágios da variante delta em vários países.

“Embora a ômicron pareça apresentar sintomas menos graves em comparação à delta, especialmente nos vacinados, isso não significa que deva ser classificada como branda. Assim como as variantes anteriores, a ômicron está hospitalizando e matando. O tsunami de casos é tão grande e veloz que tem sido avassalador para os sistemas de saúde em todo o mundo”, afirmou Tedros.

Estudos sugerem que a ômicron, detectada pela primeira vez em novembro no sul do continente africano, tem menos probabilidade de causar sintomas mais graves nos infectados em comparação com variantes anteriores. No entanto, sua facilidade de transmissão parece ser ainda mais alta.

Os contágios por covid-19 aumentaram 71% em uma semana, em todo o mundo. Apenas nos Estados Unidos, foram registrados mais de 1 milhão de casos em 24 horas. Nas Américas do Norte, Central e do Sul, o número de novas infecções aumentou 100%. Segundo a OMS, em todo o mundo, 90% dos casos graves são de indivíduos não vacinados.

Transeuntes de máscara caminham em rua da Cidade do México
Objetivo da OMS é ter 70% da população global vacinada até meados de 2022Foto: Gerardo Vieyra/NurPhoto/picture alliance

Crítica à sede de vacinas das nações ricas

O primeiro pronunciamento de Tedros Ghebreyesus em 2022, a partir de Genebra, na Suíça, ficou marcado também por críticas à ausência de vacinas em países pobres. Ele se referiu à retenção de doses nos países ricos, o que, segundo a OMS, criou o terreno perfeito para o surgimento de novas variantes.

O chefe da OMS insistiu para que o mundo compartilhe as vacinas de forma mais justa em 2022, a fim de sustar a onda de “morte e destruição” causada pelo novo coronavírus.

Para 2021, a meta do biólogo etíope era que todos os países tivessem pelo menos 10% de sua população totalmente vacinada até setembro, e um total de 40% até dezembro. Dos 194 membros da OMS, 92 não alcançaram esses percentuais: 36 sequer chegaram aos 10% por não disporem de doses suficientes.

Agora Tedros Ghebreyesus quer que 70% da população total de todos os países esteja vacinada até julho. A julgar pelo curso atual, 109 países não devem alcançar o objetivo.

“A iniquidade vacinal é um assassino de seres humanos e de empregos, e atinge diretamente a recuperação econômica global. Doses e mais doses de reforço apenas num pequeno número de países não darão fim à pandemia, enquanto bilhões permanecerem desprotegidos”, declarou Tedros.

Jovens de máscara no queixo mexem em telefones celulares no Zimbábue
Técnica da OMS criticou uso incorreto de máscaras sanitárias: “Abaixo do queixo é inútil”Foto: Nyasha Handib/AA/picture alliance

Fim da pandemia em 2022 é polêmico

A diretor técnica da OMS no combate à covid-19, Maria van Kerkhove, declarou ser muito improvável que a ômicron vá ser a última variante do coronavírus a causar preocupação no mundo, antes de um possível fim da pandemia. Ela voltou a insistir para que se mantenham as medidas de prevenção para proteger contra o vírus.

“Façam tudo o que for aconselhado, de maneira abrangente e objetiva. Precisamos aguentar firme e lutar”, reforçou, dizendo-se espantada por ver alguns portando de maneira incorreta os acessórios de proteção sanitária: “É preciso cobrir o nariz e a boca. Máscara abaixo do queixo é inútil”, criticou Van Kerkhove.

O representante da OMS na área de recursos para o coronavírus, Bruce Aylward, acrescentou que “não há necessidade de terminar 2022 com pandemia”. Mas o diretor de emergências da entidade, Michael Ryan, ressalvou ser possível que “estaremos sentados aqui no fim deste ano, de algum modo, tendo a mesma conversa – o que, por si só, já seria uma grande tragédia”.

Fonte: Deutsche Welle (DW)