OMS anuncia erradicação da poliomielite na África

Campanha de vacinação foi fundamental para erradicar a poliomielite no continente africano. Foto: Reprodução DW

Nenhum caso de paralisia infantil foi registrado no continente nos últimos quatro anos. Organização Mundial de Saúde celebra marco histórico alcançado com campanhas de vacinação.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou nesta terça-feira (25/08) a erradicação do vírus causador da poliomielite no continente africano, após décadas de campanha para eliminar a doença em todo o mundo.

“Hoje é um dia histórico para a África”, disse Rose Gana Fomban Leke, integrante da comissão que certificou o fim das ocorrências de casos de pólio nos últimos quatro anos, o período limite para que se possa declarar a erradicação de uma doença infecciosa.

A poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, se junta à varíola na lista das viroses que foram varridas do continente, afirmou a OMS.

Desde 1996, os esforços para erradicação do poliovírus evitaram que 1,8 milhão de crianças tivessem contraído a doença que causa a paralisia infantil, e aproximadamente 180 mil vidas foram salvas, segundo a OMS.

A poliomielite é uma doença infecciosa aguda e contagiosa que ataca a medula espinhal e causa paralisias irreversíveis em crianças. Era uma doença endêmica em todo o mundo até a descoberta de uma vacina nos anos 1950, que ainda estava fora do alcance de várias nações mais pobres na África e na Ásia.

Em 1988, a OMS, juntamente com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Rotary, deu início a uma campanha mundial de erradicação da doença, Naquele ano, foram registrados 350 mil casos em todo o planeta. Em 1996, era mais de 70 mil infecções apenas na África.

Graças os esforços globais e ao apoio financeiro obtido pelas organizações – em torno de 19 bilhões de dólares em mais de 30 anos – apenas o Afeganistão e o Paquistão tiveram casos da doença registrados este ano. No total, foram 87 ocorrências.

O poliovírus é transmitido, normalmente, através das fezes de infectados e pode se espalhar através da água e de alimentos. As vacinas conseguem romper esse ciclo de transmissão.

O último caso de pólio na África foi registrado em 2016 na Nigéria, onde a vacinação enfrentava forte oposição de grupos jihadistas que acreditavam que o objetivo seria esterilizar muçulmanos. Mais de 20 profissionais que trabalhavam na vacinação foram mortos.

“Este é um marco histórico para a África. Agora, as futuras gerações de crianças africanas podem viver livre da poliomielite selvagem”, comemorou o diretor regional na OMS para a África, Matshidiso Moeti. Ele agradeceu o envolvimento de governos, comunidades, parceiros e doadores, além dos profissionais de saúde na linha de frente da vacinação.

 

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