Supermercados europeus ameaçam boicotar produtos do Brasil se reforma agrária for levada adiante

© AP Photo / Eraldo Peres

Supermercados e produtores de alimentos na Europa ameaçaram nesta quarta-feira (5) boicotar produtos do Brasil em resposta ao projeto reforma agrária que tramita no Senado brasileiro.

De acordo com informações da Rádio França Internacional, 38 signatários apresentaram uma carta conjunta, criticando o texto que está em discussão no Senado do Brasil e que facilita a privatização das terras.

Segundo eles, o projeto levaria a um desmatamento maior da floresta amazônica. Em uma carta aberta aos parlamentares brasileiros, o grupo afirma que considera “extremamente preocupante” a apresentação, em abril, do Projeto de Lei 510/21.

Segundo os signatários, esta medida, que prevê a privatização das terras, “ameaça mais do que nunca a Amazônia”.

Imagem de área da Amazônia sendo desmatada, em Porto Velho, no Brasil, no dia 23 de agosto de 2019
© REUTERS / UESLEI MARCELINO Imagem de área da Amazônia sendo desmatada, em Porto Velho, no Brasil, no dia 23 de agosto de 2019

Fazem parte das empresas que contestam o projeto grandes redes de supermercados do Reino Unido, como Tesco, Sainsbury’s, Asda, Morrisons e Marks & Spencer, assim como a alemã Aldi e a suíça Migros, além de empresas de produção de alimentos como a National Pig Association, o fundo público de previdência sueco AP7 e outros gestores de investimentos.

O PL 510/21 prevê a “regularização fundiária, por alienação, ou concessão de direito real de uso, das ocupações de áreas de domínio da União”. Além disso, o projeto “amplia a área passível de regularização para até 2.500 hectares e dispensa vistoria prévia da área a ser regularizada, podendo ser substituída por declaração do próprio ocupante”.

“Ao longo do último ano, assistimos a uma série de circunstâncias que provocaram níveis extremamente elevados de incêndios florestais e desmatamento no Brasil”, denunciam os signatários da carta aberta. Eles afirmam que, se nada for feito, “não teremos outro remédio a não ser reconsiderar nosso apoio e uso da cadeia de abastecimento de produtos agrícolas brasileiros”.

Fonte: Sputnik Brasil

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