Talibã não ‘tem vontade de paz’, diz presidente afegão Ashraf Ghani em meio a tensões no país

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Enquanto o Talibã (grupo terrorista proibido na Rússia e em diversos países) vai tomando territórios no Afeganistão, presidente afegão afirma que o grupo “não tem vontade de paz”, mesmo que seus líderes digam o contrário.

Falando para repórteres nesta quarta-feira (21), o presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, lamentou o fato de que, apesar de o governo ter libertado 5.000 prisioneiros do Talibã em 2020, o grupo militante até agora não estava pronto para negociações significativas e “não tem vontade de paz”.

“Enviamos a delegação para fazer o ultimato e mostrar que temos vontade de paz e estamos prontos para nos sacrificarmos por ela, mas eles [o Talibã] não têm vontade de paz e devemos tomar decisões com base nisso”, disse Ghani.

Entretanto, Suhail Shaheen, porta-voz do escritório político do Talibã em Doha, disse que o grupo está buscando uma “solução pacífica” e quer ter um “governo islâmico inclusivo no Afeganistão”.

O país afegão vem testemunhando um aumento crescente na tomada de seu território pelo grupo terrorista à medida que as tropas dos EUA e da OTAN estão deixando o local. A saída das tropas foi um dos pontos de acordo que o Talibã e os Estados Unidos chegaram em Doha, em fevereiro de 2020.

Apoiadores do Talibã carregam andeiras brancas do grupo na cidade de Chaman, fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão, 14 de julho de 2021
© AP PHOTO / TARIQ ACHAKZAI Apoiadores do Talibã carregam andeiras brancas do grupo na cidade de Chaman, fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão, 14 de julho de 2021

Segundo Jonuel Gonçalves, professor de Relações Internacionais da UFF, entrevistado pela Sputnik Brasil, parte do êxito do Talibã em tomar regiões no país acontece porque o grupo tem forte apoio popular, pois a população acredita que outras forças, como as democráticas e até mesmo o governo afegão, negam os princípios fundamentais do islamismo e enxergam no grupo a chance de se manter esses princípios.

“Sem a influência da intervenção que combatia o Talibã [EUA e OTAN] e o apoio popular ao grupo, pode ser um grande desafio para o governo afegão e as forças nacionais estabelecerem uma unidade de governo na região, o que ajudaria em um colapso no local”, disse o especialista.

Confira aqui um infográfico mostrando o avanço do Talibã no país.

Fonte: Sputnik Brasil

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