UE planeja enviar tropas ‘o mais rápido possível’ para combater grupos armados em Moçambique

© AFP 2021 / MICHAL CIZEK

No norte de Moçambique, na província de Cabo Delgado, o movimento extremista entre a população muçulmana tem ganhado força desde 2017.

Recentemente, o grupo armado Ansar al-Sunna jurou fidelidade ao Daesh, apesar de não haver ligação demonstrável entre eles. Isso chamou a atenção dos países ocidentais, cujas forças já estão envolvidas em aparentes campanhas antiterroristas em outros locais de África.

O grupo radical islâmico Ansar al-Sunna, conhecido localmente como Al-Shabab (organização terrorista proibida na Rússia e outros países) é mais alimentado pela ira relativamente à exploração e deslocamento de pessoas que os projetos de gás natural liquefeito (GNL) e extração de rubis por corporações multinacionais ocidentais têm provocado na província, que está entre as mais pobres de Moçambique, do que por uma devoção séria a uma ideologia militante muçulmana.

Depois de recentes notícias alertarem que os atrasos nos enormes projetos de GNL em Cabo Delgado possam causar déficits globais, a União Europeia e Portugal falaram sobre o envio de tropas para combater a crescente insurgência perto dos locais de extração de GNL.

Nesta quinta-feira (6), Josep Borrell, alto representante para a Política Externa e Segurança da União Europeia, declarou após a cúpula do G7 em Londres que a União Europeia está planejando enviar uma missão de treinamento militar a Moçambique “o mais rápido possível”.

“O governo de Moçambique tem pedido ajuda, vamos tentar enviar uma missão de treinamento […] a fim de conter a situação de segurança,” disse Borrell aos jornalistas. “Se não formos capazes de enviar a missão até o final deste ano, eu não consideraria isso como um bom resultado. Espero que o façamos antes”.

Militares portugueses durante treinamentos na base de Tancos, foto de arquivo
© CC BY 2.0 / ALLIED JOINT FORCE COMMAND BRUNSSUM / EXERCISE TRIDENT JUNCTURE Militares portugueses durante treinamentos na base de Tancos, foto de arquivo

“Portugal já ofereceu metade dos efetivos e enviou instrutores militares, mas isso tem de ser considerado como um avanço a integrar em uma missão de treinamento da União Europeia se chegarmos a um acordo”, acrescentou Borrell.

“Eu acho que é bom ter a capacidade de intervir imediatamente se você realmente quer ser uma potência geopolítica. Devemos ser capazes de agir tão rapidamente quanto necessário”, disse ele.

No fim de abril, a empresa francesa Total confirmou ter suspendido os trabalhos em um enorme projeto de gás de US$ 20 bilhões (aproximadamente R$ 109 bilhões) no norte de Moçambique, após o último ataque jihadista a uma cidade próxima ao empreendimento no mês passado.

Fonte: Sputnik Brasil