“Uns foram e não são…” libelos quixotescos de Zé de Jesus Barreto

 

 

LIBELOS QUIXOTESCOS  

                                                 Zédejesusbarreto, um Sancho das escrevinhações

 

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 “Uns foram e não são

Outros são e não eram”

(Quixote, de Cervantes)

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Ave Santo Amaro!

Louvo, respeito e agradeço a Caetano Veloso pela grandeza e significado de sua obra que marcou gerações, enquanto libertária.  Mas…

Preciso dizer algo sobre seu filme, documentário, entrevista ou monólogo que trata de sua prisão (e de Gil) em 1968, depois do AI-5, e o exílio em Londres. Fatos acontecidos, sofridos.

– Exalam oportunismo o modelito e o lançamento da obra neste momento; ranços político-ideológicos e o propósito de faturar em cima.

– Não há porque a omissão, no relato, do papel decisivo de ACM na negociação com os militares para a soltura dos artistas baianos, presos num quartel do Rio, com o assumido compromisso e a garantia de que ficariam na Bahia, quietos e calados, monitorados pelos milicos até que fossem para o exterior. Até o show no TCA, em 69, no intuito de angariar recursos para a viagem, foi negociado.

– Se hoje, a esquerda ‘nutela/caviar’ quer fazer da peça um libelo, panfleto para seus atuais propósitos/objetivos ideológicos, quando tudo aconteceu (1968/69 …), gostar de Caetano, Gil, Tropicália… era coisa de alienado, de ‘festivo’, segundo a esquerda que se postava à frente da luta contra a ditadura. Vivi isso. Vale relembrar o discurso irado de Caetano no festival do “É proibido proibir”, bradando para a plateia de estudantes que o vaiavam: “Vocês não estão entendendo nada, nada!”; E mais:  “Se vocês forem em política como são em estética, tamos fritos!”. Apois.

– Sem mais, não gostei da interpretação forçadamente broxante de ‘Hey Jude’. E olhe que amo ele cantando Beatles.

Só uns toques, sem desmerecimentos.

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Votos (in)válidos

Eleitores, eleições na porta, cuidado com os candidatos a eleitos.  Campanha política é negócio, conchavos, apoios e blefes, promessas e ludíbrios. “O que eu vou ganhar com isso?”, esse é o papo no breu das tocas.  A propaganda é a enganação, a arte de saber mentir e lograr.

Quanto mais desinformado e iletrado é um povo, mais fácil se torna manipula-lo, acorrenta-lo, subjuga-lo, oprimi-lo, usa-lo em proveito de interesses.

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Domínios

Impressiona-me cada dia a capacidade desses ideólogos de criarem narrativas, muitas delas absurdas, em cima de acontecimentos, dizeres… com historinhas bem urdidas, ora absurdas, ora sórdidas.  Fingem acreditar nelas e as repetem, pregam, propagam…   Rola grana gorda!

E as manadas, carneiras, desafortunadas seguem cegas: “méé, méé!”.   Chamam a isso de “fazer política”. Bizarro.

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Os mandões

Nessa democradura sobram ditadores, de todo naipe e tamanhos – de toga, faixas, gravatas, medalhas, títulos, fardas – e nenhum líder. Sobra mandonismo nos três ‘poderes’ da tal república. E nos municípios, estados, câmaras, assembleias, congresso, tribunais, ministérios …  Os porretas totalitários aproveitam-se de qualquer circunstância ou miserê pra cagar ordens e disputar poderes, “quem manda mais aqui?”

A massa, lá e cá, no cabresto, no chicote, no chocalho ou por um punhado de ração berra, aqui e acolá, mas segue cordeira, como se sina fosse.

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Poder paralelo

Em muitos bairros desta cidade-mãe amada a gente já tem de pagar pedágios aos “donos do pedaço” para sobreviver – abrir uma quitanda, caminhar com os netos, dormir em paz…

Mensalões. Os garotos da patrulha, bem armados, vão cobrar na porta. Sem recibos, sem barganhas, na tora, “é tanto!” e pronto. Milícias, tráfico, comandos, polícia, políticos, togados… vá saber!  Se rebarbar… pode virar presunto.

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Carimbo

O STF, segundo Guzzo, virou uma banca de advogados do crime organizado.

STF = Serviço Togado de Falcatruas.

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The end

Droit & Gauche:

Onde cabe tudo cabem todos