Uso de ar condicionado pode potencializar risco de doenças respiratórias

Foto: Bruno Costa/ Divulgação

Especialistas alertam para perigo na recirculação do ar contaminado e falta de higienização dos aparelhos. 

Solução desenvolvida pela Startup Salvar produz filtro que inativa 99,9% de vírus e retém até 70% de fungos e bactérias presentes em ambientes fechados e climatizados

Com o verão se aproximando, o uso do ar condicionado começa a se intensificar, especialmente em ambientes que reúnem grande número de pessoas como estabelecimentos comerciais, shoppings, academias, bares e restaurantes. Mas em um mundo que ainda se recupera de uma pandemia viral, o ar condicionado pode ser um risco para a saúde, já que seu funcionamento não promove a troca de ar e deixa partículas que podem estar contaminadas em suspensão, como os aerossóis.

Médicos infectologistas e pneumologistas alertam para a quantidade de gotículas expelidas quando falamos, espirramos ou tossimos, e as consequências do turbilhonamento e a recirculação do ar que podem aumentar o risco de contágio nesses ambientes climatizados. Ainda segundo os especialistas, a maioria dos aparelhos de ar condicionado não tem filtros ou retém apenas partículas grandes de poeira, já as micropartículas virais acabam se mantendo por longos períodos circulando no ambiente.

Como alternativa para minimizar esse risco, a Startup Baiana “Salvar” tem se destacado na produção de filtros para ar condicionado com capacidade de inativar até 99,999% de vírus, incluindo o novo coronavírus e reter até 70% de fungos e bactérias existentes em ambientes fechados e climatizados. Segundo Loyola Neto, CEO da Salvar, “É uma solução que ajuda a combater não só a Covid-19 mas diversos problemas de doenças respiratórias como: gripes, rinite, sinusite, alergias, pneumonites e infecções fúngicas. Isso acontece graças a sua tecnologia ultra filtrante e capacidade de inativação dos vírus”. Registrada como patente de invenção, o filtro foi desenvolvido pelo Senai Cimatec com apoio da EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) e certificado por laboratórios.

Dr. Paulo Saldiva, médico da USP e conselheiro médico do PNQAI (Plano Nacional de Qualidade do Ar Interno), um dos 239 cientistas do mundo que assinou a carta à OMS reconhecendo a transmissão da COVID-19 por micropartículas no ar, afirma que o ar respirado em ambientes internos é composto por diversos agentes como poeira, produtos químicos usados para limpeza de ambientes, ácaros, fungos, radônio, queima de biomassa, vírus, entre tantos outros, e que são base de problemas como baixa produtividade, doenças respiratórias de diversas origens que podem inclusive levar a óbito.

O filtro biocida e anticovid da Salvar tem se destacado em eventos de inovação pelo Brasil. Recentemente foi uma das quatro finalistas do Prêmio Fleury de Inovação, participou da 8ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e venceu a seletiva do Programa Acelera+ Bahia para integrar evento nacional do Sebrae em 2022. Ele tem um barreira físico-química que prende os microorganismos e é composto por íons de prata que inativam o coronavírus. Seu modelo é bastante versátil e pode ser adaptado para diferentes tipos de climatizadores, inclusive de automóveis, onde já foi testado e aplicado em ônibus de Salvador.

Os especialistas também alertam que a falta de higienização adequada  desses aparelhos é um agravante e acabam por acumular poeira, ácaros, fungos e algumas bactérias. “O filtro Salvar além de manter o ar mais limpo e protegido tem a vantagem de ser de fácil instalação, manutenção e preço acessível (R$59), chegando até os pequenos negócios”, conclui Loyola Neto.