Vacina, Cloroquina e Manaus: os crimes do presidente nos 64 pedidos de impeachment

Com o agravamento da pandemia no Brasil e a falta de atuação do governo de Jair Bolsonaro, protestos pediram impeachment do presidente no último sábado (23) - Sérgio Lima/AFP

O movimento pelo impeachment de Jair Bolsonaro (sem partido) ganha força no país. Impulsionado pelos atos do último sábado (23), que se espalharam por 15 capitais brasileiras, o mais novo pedido de afastamento do presidente foi protocolado pelos partidos de oposição ao Governo Federal nesta quarta-feira (27). Agora já são 64 solicitações desta natureza na Câmara dos Deputados.

Entre os 15 crimes de responsabilidade citados pelos partidos na manifestação de ontem, estão a negligência na oferta de oxigênio para os hospitais de Manaus – capital do Amazonas -, o incentivo ao tratamento precoce para covid-19 por meio do medicamento Hidroxicloroquina, e a falta de planejamento para vacinar a população.

No início da semana, 380 nomes de diferentes igrejas católicas e evangélicas, já haviam apresentado outro pedido de afastamento do capitão reformado. O teor da manifestação foi o mesmo: a irresponsabilidade de Bolsonaro para conter o avanço da covid-19.

“Ele pega os elementos mais recentes da irresponsabilidade de Bolsonaro. Veja, se a gente sabia que era uma medida sanitária, a história nos deu razão. São 218 mil mortos no Brasil por covid-19. E não é que o Bolsonaro atrapalhou porque é negligente, ele deliberadamente combateu a ciência. Durante toda a pandemia, ele fez péssimos exemplos de aglomeração e fez de tudo para desmontar as políticas que poderiam salvar vidas” explica a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS), que esteve presente no protocolo do pedido de impeachment na Câmara.

Além de pedir o afastamento do presidente, os partidos de oposição pressionaram também pela retomada imediata dos trabalhos na Casa Legislativa. Mesmo em meio ao estado de calamidade vivido no país, o parlamento está em recesso e só deve retornar aos trabalhos no dia 1º de fevereiro, data em que será escolhido o novo Presidente da casa.

A líder do PSOL na Câmara destaca que o recesso impede que se encontre soluções efetivas para o fim do auxílio emergencial, outro crime de responsabilidade citado nos pedidos de afastamento de Bolsonaro.

“70% do nosso povo não conseguiu outra fonte de renda no momento que o desemprego está em alta e o custo de vida está aumentando. É outro dos crimes cometidos contra o nosso povo pelo Presidente da República. Mas a luta pela volta do Congresso tem a ver também com a tentativa de pautar vários projetos que tratam do auxílio emergencial”, argumenta.

Valério Arcary, professor titular no Instituto Federal de São Paulo (IFSP), avalia que a estratégia de Rodrigo Maia (DEM-RJ) em não ter aceitado os pedidos de impeachment atendeu aos interesses de seu bloco social.

Segundo o analista, Maia e seu possível sucessor, Baleia Rossi (MDB-SP), acreditam que o desmonte da máquina pública por parte do Governo Federal, com a manutenção do teto de gastos, as reformas administrativas e privatizações – como a dos Correios, da Eletrobrás e do Banco do Brasil – podem colocá-los em condições mais favoráveis na corrida presidencial de 2022.

“Maia ainda que esteja apoiando Baleia Rossi contra o candidato de Bolsonaro na eleição da Presidência da Câmara, ele está disposto a uma co-gestão, a um co-governo com Bolsonaro, limitando os excessos de Bolsonaro, mas ao mesmo tempo apoiando suas ideias maníacas, de fazer um ajuste estrutural, uma política de choque, de capitalismo selvagem na sociedade brasileira”, aponta.

 

Fonte: Brasil de Fato