OMS aprova uso emergencial da vacina de Oxford

Foto: Reprodução DW

A Organização Mundial da Saúde (OMS) autorizou nesta segunda-feira (15/02) o uso emergencial da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca e a Universidade de Oxford.

O aval da entidade abre caminho para que o imunizante seja distribuído ao redor do mundo por meio do consórcio Covax Facility, um programa apoiado pelas Nações Unidas para compra e distribuição de vacinas contra a covid-19, visando um acesso mais igualitário aos imunizantes e priorizando países mais pobres.

“A OMS listou hoje duas versões da vacina da AstraZeneca-Oxford contra a covid-19 para uso emergencial, dando luz verde para que essas vacinas sejam lançadas globalmente através do Covax”, afirmou a organização internacional em comunicado.

As duas versões aprovadas pela entidade são as produzidas pela AstraZeneca-SKBio, na Coreia do Sul, e pelo Instituto Serum, na Índia – que também fabricou doses do imunizante da AstraZeneca-Oxford que estão sendo usadas no Brasil.

“Agora temos todas as peças no lugar para a distribuição rápida das vacinas. Mas ainda precisamos aumentar a produção”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

O imunizante da AstraZeneca-Oxford é parte fundamental do Covax Facility, correspondendo a quase todas as 337,2 milhões de doses que o programa pretende enviar a cerca de 145 países no primeiro semestre deste ano, incluindo o Brasil. Para isso faltava a autorização da OMS.

O acordo do Brasil com o Covax prevê o envio de 42,5 milhões de doses da vacina ao longo de 2021. Cerca de 1,6 milhão de doses estão previstas para chegar ao país ainda no primeiro trimestre, e outros 6 milhões, no segundo trimestre.

Entre as vantagens do imunizante estão o preço relativamente baixo e a possibilidade de armazenamento em geladeiras normais, sem a necessidade de sistemas de temperaturas baixíssimas como os requeridos pelas vacinas da Pfizer-Biontech e da Moderna, o que facilita sua distribuição.

Grupo recomendou uso

A aprovação da organização ocorre dias depois de especialistas da OMS terem recomendado o uso da vacina da AstraZeneca-Oxford, afirmando que ela pode ser administrada inclusive em pessoas com mais de 65 anos, apesar das dúvidas que surgiram sobre sua eficácia nessa faixa etária.

A recomendação foi feita na quarta-feira passada pelo Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas (Sage), que emite recomendações sobre o uso de vacinas à OMS. Vários países, incluindo Portugal e Alemanha, recomendaram que o imunizante não fosse administrado em pessoas com mais de 65 anos, devido à escassez de dados de estudos referentes a esse grupo.

O Sage reconheceu que os testes clínicos com a vacina da AstraZeneca-Oxford tiveram uma participação pequena de pessoas com mais de 65 anos, mas disse ter concluído que “os resultados nesse grupo não são diferentes dos mais jovens”.

Sobre as dúvidas a respeito de uma possível menor eficácia da vacina da AstraZeneca contra novas variantes do coronavírus Sars-Cov-2, principalmente a cepa originária da África do Sul, os especialistas disseram que isso foi notado principalmente em casos leves e moderados da doença, mas que “há evidências indiretas de que [a vacina] ainda protege em casos graves”.

“Considerando esses fatores, não há razão para desaconselhá-la, nem em países onde há circulação das novas variantes do coronavírus”, declarou o Sage na semana passada.

Essa questão causou preocupação na África do Sul. O país chegou a adquirir 1 milhão de doses da vacina da AstraZeneca, mas acabou suspendendo a aplicação do imunizante após estudos preliminares terem indicado que sua eficácia pode cair para 22% contra a nova cepa.

Vacina no Brasil

A vacina da AstraZeneca-Oxford é um dos dois imunizantes que estão sendo usados atualmente na campanha de vacinação no Brasil, ao lado da Coronavac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

Além das doses da AstraZeneca-Oxford previstas para chegar por meio do Covax Facility, o governo federal fechou um acordo em julho do ano passado com os produtores, tornando a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) parceira no preparo e produção do imunizante no país.

O acordo envolve a entrega de 100,4 milhões de doses até o meio do ano, preparadas e envasadas pela Fiocruz a partir do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) importado, feito por uma empresa parceira da AstraZeneca na China. O contrato também transfere a tecnologia de produção do IFA ao Brasil para que, no segundo semestre, a Fiocruz produza mais 100 milhões de doses.

 

Fonte: Deutsche Welle (DW)

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