Petardo: O isolamento e o pacto com a morte

Por Altamiro Borges

Nesta quarta-feira (8), o Brasil bateu novo recorde de mortes por coronavírus – 133 óbitos. Agora já são 822 vítimas fatais. Apesar da notória subnotificação, 16.195 casos foram confirmados. Mesmo assim, Bolsonaro – inimigo da ciência e apologista da morte – insiste no fim do isolamento social e pactua um recuo na área da saúde.

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No Boletim Epidemiológico-7, o Ministério da Saúde já sinalizou com a possibilidade do relaxamento gradual do isolamento. Segundo a Folha, a recuo agradou o “capetão”, que “vê sinais de alinhamento do ministro Mandetta aos desejos do Planalto”. A morte ronda os lares brasileiros!

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O recuo na quarentena é preocupante. Ao ultrapassar pela segunda vez a marca de cem mortes num único dia, Brasil entrou em uma nova fase na epidemia. “Daqui para a frente, o país deverá enfrentar uma forte escalada no número de vítimas”, relata o jornalista Bernardo Mello Franco, no jornal O Globo.

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“Ainda estamos no início da ascensão da curva epidêmica. Nos próximos dias, ela vai se acelerar de forma contundente”, prevê o epidemiologista Roberto Medronho, da UFRJ. “Agora entramos numa subida contínua até o pico da epidemia. E depois a descida ainda será lenta”.

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Diante desse risco, o professor da UFRJ mostra-se pessimista com o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, que indicou o afrouxamento na quarentena. “Vejo isso com muita apreensão. Na prática, parece um eufemismo para o tal isolamento vertical exigido pelo presidente”.

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Para o epidemiologista, “o afrouxamento das medidas fará com que a curva de contágio se acelere. Quem defendia isso mudou de ideia e hoje está na UTI”, afirma, referindo-se ao direitista britânico Boris Johnson. Ele traça um cenário fúnebre caso haja recuo na guerra ao coronavírus.

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“Tudo o que não queremos é ver caminhões do Exército levando corpos para outras cidades por falta de vaga nos cemitérios. Isso ocorreu na Lombardia, a região mais rica de um país de primeiro mundo”, alertou o docente da UFRJ ao jornal O Globo. Será que Mandetta topou esse pacto da morte para manter seu cargo?

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O pacto com a morte parece estar em alta. Que o diga o charlatanismo religioso, importante base de apoio do bolsonarismo. O UOL informa após pedir aos “fiéis que fizessem doações de casa pela internet, o pastor R.R. Soares agora está ensinando uma oração para ‘expulsar’ o coronavírus de si mesmo e de outras pessoas”

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Em vídeo postado nas redes sociais da Igreja Internacional da Graça, o televangelista prega: “Corona, sai daquela pessoa no hospital agora, em nome de Jesus Cristo. Vai embora, acabou. A bênção chegou e todo o mal está desfeito”. Na dúvida, porém, R.R. Soares veste uma máscara!

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O UOL lembra que “R.R. Soares fundou a Igreja Internacional da Graça de Deus em 1980, após romper com o cunhado Edir Macedo. Ele é co-fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. Ela tem mais de 1 milhão de seguidores e diz ter mais de 5.000 templos espalhados por 190 países”.

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R.R. Soares não é o único a pregar a cura pela fé. “Na semana passada, a Polícia Civil do RS abriu inquérito para investigar o pastor Silvio Roberto… Panfleto de sua igreja afirmava que fiéis ungidos com ‘óleo consagrado’ ficariam imunes a qualquer doença, inclusive o coronavírus”. Ele é acusado de charlatanismo.

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Só para registrar: A revista Época relata que “a rede de academias Smart Fit, do bolsonarista Edgard Corona, suspendeu contratos de funcionários por dois meses”. Os salários serão cortados em 70%. Vítimas foram avisadas no domingo, quando “a chance do trabalhador buscar o sindicato é zero”. Haja canalhice!

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