Alinhamento do governo Bolsonaro com os EUA vai contra ‘os interesses da América Latina’, diz especialista

O presidente Jair Bolsonaro durante protesto em Brasília: ida de presidente brasileiro à comemoração do feriado americano era incomum. (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

O secretário de Estado dos EUA visitou a cidade brasileira de Boa Vista para discutir a crise venezuelana. A visita de Pompeo pode acabar afastando Brasil do resto da América Latina, acredita analista.

Em conversa com a Sputnik Mundo, o especialista Ítalo Beltrão analisou as implicações que podem resultar desta convergência entre Estados Unidos e Brasil para o âmbito regional.

A última visita de Mike Pompeo ao Brasil tem sido severamente criticada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que manifestou profunda preocupação com as relações estreitas entre os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump, e que tipo de consequências estas podem trazer para a soberania brasileira.

A respeito “da política externa de Bolsonaro, esta tem mostrado consistência em seu comportamento, que pretende posicionar internacionalmente o Brasil na linha dos interesses dos grupos mais conservadores”.

Neste sentido, “apesar do seu fraco desempenho diante da pandemia e outros assuntos de política interna, a política externa tem sido firme na adoção de posições inéditas na história diplomática do país, em se tratando de direitos humanos e meio ambiente”, afirmou.

Sabendo isto, “são adotados posicionamentos não diplomáticos com os governos da França e da China, ambos bastante críticos das políticas adotadas por Bolsonaro tanto a nível geopolítico como ambiental”, afirmou.

Bolsonaro apela a uma convergência estratégica entre Brasil e Estados Unidos

Entre as consequências mais diretas, “se destaca a queda significativa dos investimentos chineses, assim como o questionamento do acordo entre Mercosul e União Europeia”, indicou o especialista brasileiro.

No âmbito da visita de Pompeo, “o alinhamento de Bolsonaro com Washington vai sem quaisquer dúvidas contra os interesses da China e da América Latina, mas não creio que tal venha a minimizar a incidência do gigante asiático na região”, concluiu Beltrão.

 

Fonte: Brasil 247