Assessoramento técnico e diversidade da produção asseguram renda e segurança alimentar para agricultores familiares

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Os investimentos do Governo do Estado por meio do projeto Pró-Semiárido têm assegurado um incremento na renda e melhoria da segurança alimentar e nutricional das famílias e, consequentemente na qualidade de vida. Essa é a conclusão da análise dos dados apurados com o uso da metodologia Lume – Análise Econômica-ecológica de Agroecossistemas, que mostram o desenvolvimento das famílias assistidas pelo Pró-Semiárido, com diversidade da produção e uso de tecnologias de convivência com o Semiárido.

“Os parâmetros analisados traduzem a transição agroecológica e agroecologia praticadas pelos núcleos familiares, para além da produção de alimentos de base agroecológica, mas reconhecendo e valorizando o protagonismo das mulheres agricultoras, ao longo dos anos, a partir de orientações de uma ATC [Assessoria Técnica Contínua] que tem relações com as comunidades, que pauta e discute a convivência com o semiárido”, refletiu Fabíola Goes, que faz parte da Associação de Assistência Técnica e Assessoria aos Trabalhadores Rurais e Movimentos Populares – Cactus.

Os dados foram apresentados, na quarta-feira (2/06), em evento virtual, que reuniu 56 pessoas entre técnicas e técnicos da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e das dez entidades de Assessoramento Técnico Contínuo (ATC), conveniadas pelo Pró-Semiárido; membros da Rede Ater Nordeste e da AS-PTA. O Pró-Semiárido é um projeto do Governo da Bahia, executado pela CAR, empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) com cofinanciamento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida).

O objetivo foi gerar a reflexão sobre o incremento da renda e da segurança alimentar, a partir da apresentação de três casos de famílias agricultoras, sendo uma de comunidade quilombola, e uma de comunidade tradicional de fundo de pasto: “Nós estamos falando da qualidade de vida das pessoas. Estamos falando que a renda é apenas um meio para a qualidade de vida, mas ela não assegura que a qualidade de vida das pessoas vai ser boa, porque tem pessoas que tem um bom índice de renda monetária e uma péssima qualidade de vida. Esta é uma discussão importante para colocar o debate da renda no seu devido lugar”, explicitou Paulo Petersen, coordenador executivo da AS-PTA.

Uma das importantes reflexões trazidas no momento faz referência à proporção entre diversidade da produção e o índice de mercantilização, ou seja, quanto maior e mais diversificado for o agroecossistema maior será a renda monetária e o acesso à alimentação mais nutritiva para a família. Outro aspecto levantado relaciona-se com o protagonismo das mulheres na geração de recurso e segurança alimentar, afinal são as agricultoras que gerenciam o alimento, na maioria dos lares, cuidam da produção do quintal, guardam as sementes e se responsabilizam pelo trabalho doméstico e de cuidados.

Embora já se tenham bons resultados com a nutrição das agricultoras e dos agricultores, o subcoordenador do capital produtivo do Pró-Semiárido, Carlos Henrique, aponta a necessidade de melhorar a cultura alimentar dos rebanhos: “A gente mensura também com outros indicadores como o Indicador de Transição Agroecológica, ITA, o que, de fato, a ATC vem fazendo. O maior número de práticas que a ATC faz estão relacionadas com o manejo alimentar, mas ainda temos o desafio de ajudar as famílias a trabalhar mais com estocagem e fazer banco de proteína, não só com leguminosas como a leucena, mas também com plantas da Caatinga”.

Esta foi a quarta e última oficina realizada com o grupo. O encontro refletiu aspectos como integração social que se relaciona com o acesso das famílias a políticas públicas, espaços de decisão e afins, responsividade que tem relação com a capacidade das agricultoras e dos agricultores resistirem e serem resilientes a eventos internos e externos, à exemplo de secas e o empoderamento e protagonismo das mulheres.

Ascom SDR/CAR