Duda Brack se une a Ney Matogrosso e BaianaSystem no single “Ouro lata”

Foto de Gabriel Castilho

Faixa faz parte do segundo álbum de estúdio da gaúcha, “Caco de vidro” com lançamento previsto este ano

Dia 17 de setembro é aniversário da cantora e compositora Duda Brack. E ela se deu (e nos deu) o presente de unir BaianaSystem e Ney Matogrosso no seu single, “Ouro lata”. A faixa faz parte do segundo álbum de estúdio da gaúcha intitulado “Caco de vidro”, que chega em outubro através dos selos Matogrosso Alá com distribuição da Altafonte. Um visualizer criado por Pink & Cérebro em parceria com Máquina de Louco a partir de fotos de Gabriel Castilho acompanha o lançamento.

Composta por Duda, “Ouro lata” foi inspirada no livro AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA – do escritor uruguaio Eduardo Galeano – e incita temas que ela considera urgentes e carentes de diálogo, como a exploração do meio ambiente e a desigualdade social. “Traço um paralelo entre a colonização da América Latina e o neocolonialismo camuflado de democracia, vigente nos dias de hoje. No entanto, o desfecho da canção enaltece a habilidade social e, sobretudo, cultural que o Brasil tem em fazer das latas o ouro, apontando a criatividade não só como forma de resistência política, mas também como caminho para a construção da soberania de uma nação”, explica a cantora.

A produção musical e o arranjo, assinados pelo BaianaSystem, dão contorno ao diálogo entre a ancestralidade e a contemporaneidade que a música propõe transitando pelo funk do morro carioca, o samba, o afrosamba e o ijexá. Nos vocais, a visceralidade do canto de Ney e Duda, ora se fundem, ora se contrapõem, interpretando uma mensagem densa, apesar da ironia travestida de leveza que em alguns momentos se apresenta. Tudo isso num ritmo extremamente envolvente, bem ao estilo do Baiana.

“Eu e Ney já estamos conectados desde o álbum ‘Primavera nos dentes’ (projeto criado por Charles Gavin com canções dos Secos & Molhados, que teve Duda como vocalista) e desde então essa amizade só cresce. Não imaginaria este disco sem ele e como ele tem esse discurso latino americano muito forte e está ligado a questões ambientais, achei que teria tudo a ver. E o Baiana também tem esse discurso latino americano bem potente. Eu sou muito muito fã e a gente vem trocando muitas ideias desde 2018. Daí me ocorreu juntar todo mundo nessa espécie de canto da revolução”, conta Duda.

“Ouro lata” é mesmo um hino contemporâneo. E criado a partir do encontro de artistas de diferentes gerações que se inspiram e se admiram mutuamente. E o resultado promete mexer o corpo e chacoalhar a mente dos ouvintes. “Ficou muito melhor do que eu podia imaginar”, resume Ney.