Empregadas na Disney? Minoria viajou ao exterior quando economia popular bombava

O ministro da Economia, Paulo Guedes – Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Empregadas na Disney? Viagem internacional foi item mais raro no auge do consumo da nova classe média

Por Luis Barrucho e Ricardo Senra

Da BBC Brasil

Além de despertar críticas pelo tom considerado classista com que se referiu a funcionários domésticos, o ministro da Economia, Paulo Guedes, errou ao afirmar que a categoria frequentava a Disneylândia quando a cotação do dólar era mais baixa que os cerca de R$ 4,35 atuais.

“Não tem negócio de câmbio a R$ 1,80. Vou exportar menos, substituição de importações, turismo, todo mundo indo para a Disneylândia. Empregada doméstica indo pra Disneylândia, uma festa danada. Mas espera aí? Espera aí. Vai passear ali em Foz do Iguaçu, vai ali passear nas praias do Nordeste, está cheio de praia bonita. Vai para Cachoeiro do Itapemirim, vai conhecer onde o Roberto Carlos nasceu. Vai passear no Brasil, vai conhecer o Brasil, que está cheio de coisa bonita para ver”, disse Guedes em um seminário em Brasília na quarta-feira (12/02).O que economistas mostram é o oposto dessa “festa”: viagens de avião para destinos no exterior ficaram na última posição entre os bens e serviços mais comprados pelos brasileiros durante o período conhecido como “boom da classe C”.

Entre 2011 e 2014, as prioridades dos brasileiros que entraram no mercado consumidor foram celulares, computadores e carros, segundo dados levantados pela FGV Social, da Fundação Getulio Vargas.

Enquanto 38,41% dos brasileiros compraram telefones celulares com acesso à internet no período, apenas 2,15% entraram em aviões para viagens internacionais.

“Ou seja, só uma minoria viajava ao exterior quando a economia popular bombava”, avalia o economista Marcelo Neri, fundador e diretor do FGV Social e criador da expressão “nova classe média”.

Hoje, segundo a FGV, o salário médio mensal das empregadas domésticas com carteira assinada é de R$ 1082 (os valores são mais altos no sudeste e mais baixo em Estados do Norte e Nordeste). Já as empregadas domésticas que trabalham sem carteira assinada ganham, em média, R$ 640 mensais.

Três em cada quatro funcionários domésticos do país não têm carteira assinada, segundo o economista. Os dados mais recentes (2019) mostram que havia 13,3 milhões de empregadas domésticas trabalhando sem carteira assinada, e 5,2 milhões trabalhando de maneira regular.

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