Polônia vive ‘maior tentativa até agora de entrar à força’, diz Varsóvia sobre migrantes

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Serviços poloneses relataram um grande número de migrantes ilegais tentando furar a fronteira entre Belarus e a Polônia, sendo cerca de 3.000, segundo agência belarrussa Belta.

Um grande número de migrantes tentou entrar na Polônia através da fronteira de Belarus, informou nesta segunda-feira (8) o governo polonês.

Guardas fronteiriços poloneses lançaram gás lacrimogêneo contra migrantes ilegais que tentaram atravessar a fronteira, revelou na segunda-feira (8) o Ministério da Defesa do país.

Os migrantes tentaram subir a cerca usando paus e troncos de árvores, conseguindo furar alguns trechos, e lançaram pedras contra os agentes poloneses. De acordo com o Comitê da Guarda Fronteiriça de Belarus, as forças de segurança polonesas também usaram aviação para intimidar os migrantes.

“Se eles vão passar a fronteira da maneira como estão tentando fazer agora, então, claro que essas pessoas serão imediatamente devolvidas a Belarus”, afirmou Katarzyna Zdanowicz, porta-voz do controle fronteiriço da Polônia. Ela também acrescentou que nenhum dos ilegais pediu asilo e que nenhum conseguiu entrar no país europeu.

Nas imagens publicadas por Stanislaw Zaryn, porta-voz do ministro coordenador de Serviços de Inteligência da Polônia é possível ver um grande grupo de homens jovens carregando malas, mas também mulheres e crianças.

“O grupo de migrantes reunido em uma grande multidão pelos belarussos é composto principalmente por homens jovens. Começou agora a maior tentativa até agora de entrar na Polônia à força”, referiu Zaryn.

Andrzej Duda, presidente da Polônia, planejou uma reunião para discutir a situação na fronteira, disse o Escritório de Segurança Nacional do país.

“Devido à situação na fronteira polonesa-belarussa, Andrzej Duda, presidente da Polônia, se encontrará às 14h30 [09h30 no horário de Brasília] com o primeiro-ministro, ministros e diretores de serviços”, informa o comunicado.

Donald Tusk, ex-chefe da Comissão Europeia e ex-premiê da Polônia, criticou Varsóvia, declarando que o partido governista Lei e Justiça não sabe o que fazer com a situação.

“O verdadeiro problema é que ninguém de nós sabe o que o governo polonês pretende fazer com isto”, disse ele aos jornalistas na segunda-feira (8).

Migrantes se reúnem junto de cerca de arame farpado, com helicóptero sobrevoando a área, para tentar cruzar a fronteira com a Polônia na região de Grodno, Belarus, 8 de novembro de 2021
© REUTERS / LEONID SCHEGLOV / BELTA / HANDOUT Migrantes se reúnem junto de cerca de arame farpado, com helicóptero sobrevoando a área, para tentar cruzar a fronteira com a Polônia na região de Grodno, Belarus, 8 de novembro de 2021

Ele também atacou Minsk, sugerindo convocar uma reunião da OTAN para discutir a questão da migração, que, segundo ele, afeta a segurança da Polônia e da Lituânia.

“Estamos à beira de um agravamento nas nossas relações com o vizinho oriental. Estou muito preocupado com o que acontece hoje [8], e com o que, provavelmente, ocorrerá nas próximas horas na nossa fronteira oriental.”

“Provavelmente está na hora de pensar se não devemos invocar o artigo 4 da OTAN, se a nossa fronteira for diretamente submetida a pressão física com a participação de belarussos, ou seja, estou falando de serviços belarussos”, advertiu. Segundo o artigo, os Estados-membros da Aliança Atlântica farão consultas quando um deles considerar que vê minadas sua integridade territorial, independência política ou segurança.

A agência belarussa Belta relatou que o grupo de migrantes é composto por cerca de 3.000 pessoas. Eles são quase todos curdos e têm como destino a Alemanha.

Aleksandr Lukashenko, presidente de Belarus, tem sido acusado por países europeus, particularmente a Polônia e Lituânia vizinhas, de liberar deliberadamente migrantes nas suas fronteiras, mas ele rejeita as acusações referindo que, devido às sanções ocidentais, ele simplesmente não tem recursos para os manter dentro de suas fronteiras.

Fonte: Sputnik Brasil