Produção, emprego e financeirização da banca

Pedro Augusto Pinho*

Mencionei, em artigo recente, o Coletivo de Economistas Franceses, denominado “Économistes Atterrés” (Economistas Apavorados), que teve seu último livro traduzido em Portugal (Actual Editora, Coimbra, 2015) com título “Novo Manifesto dos Economistas Aterrados”.

Vou discorrer sobre a análise e proposta daquele Coletivo para solucionar o gravíssimo problema do emprego e do salário.

De início é necessário demolir a ideia que emprego é custo. “Do ponto de vista neoliberal, o trabalho é uma mercadoria como qualquer outra”.

Esta mentalidade escravagista, por incrível que pareça, domina as cabeças de empresários e até de assalariados bem remunerados. Parecem dizer que a criação, a pesquisa, a inovação são chuvas que caem, vez por outra, dos céus.

E, ainda mais, como alertam os economistas franceses, as políticas de “competitividade” e as “reformas estruturais” tem resultado catastrófico: “a Europa escorrega no sentido da deflação, condena grande parte da sua população ao desemprego, deteriora a qualidade do emprego e desde 2008 degradou a margem bruta das empresas”.

Um suicídio ideológico, digno de adeptos de Jim Jones, do célebre massacre de Jonestown, nos Estados Unidos da América (EUA).

O que deseja a banca, o sistema financeiro dominante sob nome de mercado? A financeirização de todas as atividades humanas, a degradação dos relacionamentos, o verdadeiro fim da humanidade imolada no altar de Mamon, um dos sete príncipes do Inferno.

E onde estão os Bolsonarianos, os Daciolos que desconhecem Lucas 16:13, Mateus 6:24? Nada mais representam que a farsa religiosa a serviço do “mercado”.

Desde os anos 1980, na Europa, os salários tem diminuído na maioria dos países. As desigualdades se aprofundam “não só entre trabalhadores e detentores de capital, mas igualmente entre trabalhadores”.

E mesmo vendo reduzirem a parte de lucro, os neoliberais querem endurecer a “austeridade salarial” que irá provocar a redução da capacidade produtiva. Esquecem ou nunca souberam que a produtividade não é característica individual, ela se obtém no conjunto do bom e interessado desempenho de todos. Na realidade, a financeirização das empresas só interessa aos acionistas e principais gerentes com os olhos míopes no fim do mês, talvez nem no fim do ano, que dirá nos anos seguintes.

E vemos então a realidade do “mercado”. Cada vez menos empresas, cada vez maiores conglomerados, cada vez menor competitividade pois, ao final, todas serão propriedade dos grandes fundos de investimentos: Blackrock, Vanguard, State Street Global Advisors (SsgA), Fidelity etc.

“A partir de 1993, a França foi pioneira na isenção de contribuições sociais”. Esta medida “extremamente dispendiosa para o Estado gerou empregos precários e mal remunerados”. “As medidas de flexibilização do emprego provocaram uma subida progressiva dos empregos atípicos: a tempo parcial, trabalho temporário, com subvenção do Estado …”. Este desastre foi imitado na Alemanha, no Reino Unido, os minijobs.

Em 2014, a França contava com 3,5 milhões de desempregados, 10% da população ativa. Na Zona do Euro atingia 12% da população ativa. E com altos níveis dos empregos que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) qualifica “desadequados”. “O emprego desadequado inclui os empregos com salários baixos, contratos precários (a prazo, temporários, de estágio e com subvenção do Estado), o subemprego (pessoas que trabalham fora de sua área profissional) e trabalhos perigosos para a saúde”.

E, ainda mais, os jovens são os mais atingidos, “o que é um enorme desperdício”.

É indispensável sair do paradigma neoliberal, absurdo, defendido por oito dos treze candidatos à Presidência do Brasil.

Como propõem os Economistas Apavorados o pleno emprego deve ser posicionado no centro das estratégias econômicas.

E as próprias novas estratégias de crescimento, com energia mais limpa, com cuidados ambientais, com novos materiais e reciclagem já são instrumentos para geração de novos trabalhos, novas aplicações tecnológicas, melhor condição de vida para sociedade. Estes economistas denominam, em suas propostas para o emprego, o redimensionamento produtivo, que significa não apenas a produtividade direta mas os ganhos ecológicos, sociais, ganhos paralelos com o  novo modo de produzir.

Adicionam as conhecidas teses Keynesianas de criação de empregos públicos ou pela ação direta do Estado para “responder a necessidades sociais”. Pois a política não tem por objetivo o enriquecimento dos rentistas, mas da sociedade como um todo.

E, ao fim, recomendam a redução do tempo de trabalho, para incorporar novas forças laborais.

Caros leitores, é preciso estar atento ao que falam os candidatos e seus gurus econômicos. Se são as farsas neoliberais, os cuidados com os capitais especulativos, travestidos de ideologias excludentes, ou os cuidados com o trabalho, os trabalhadores, cuja força faz progredir a Nação. O resultado será seu futuro, sua efetiva segurança, que não se esgota num guarda na esquina, mas trata principalmente de seus direitos e de seu trabalho digno.

*Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

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