Rússia transfere Navalny para hospital prisional

Foto: Reprodução DW

O serviço penitenciário russo anunciou nesta segunda-feira (19/04) a transferência do líder oposicionista Alexei Navalny, um dos principais críticos ao governo do presidente Vladimir Putin, para um hospital prisional.

Preso desde janeiro, Navalny está em greve de fome desde 31 de março, para protestar contra a recusa das autoridades em permitir que ele seja examinado por um médico particular. Ele vem reclamando de fortes dores nas costas e dormência nas mãos e nas pernas.

O serviço penitenciário russo alega que ele está recebendo cuidados adequados, que seu estado é “satisfatório” e que ele concordou em tomar suplementos vitamínicos.

No sábado, o médico de Navalny, Yaroslav Ashikhmin, disse que a saúde dele estava se deteriorando rapidamente e que o opositor poderia “morrer a qualquer momento”.

Segundo o médico, os resultados dos exames que recebeu da família de Navalny mostram que o opositor apresenta níveis muito elevados de potássio, que pode causar uma parada cardíaca, e níveis altos de creatinina, que podem indicar problemas renais.

Além disso, ele também estaria com forte tosse, que gera preocupação, já que vários internos em sua unidade recentemente foram diagnosticados com tuberculose. Uma ressonância magnética também mostra que Navalny tem duas hérnias de disco nas costas.

Preocupados com a saúde de Navalny, seus apoiadores convocaram uma manifestação nacional na quarta-feira, data em que Putin deve fazer seu discurso anual sobre o estado da nação.

No mês passado, Navalny foi transferido para uma colônia penal a leste de Moscou, famosa por suas más condições. Ele reclamou que não dormia, pois os guardas o examinavam de hora a hora durante toda a noite.

União Europeia ameaça Rússia

O tratamento dado a Navalny vem despertando críticas de vários governos ocidentais à Rússia. O chefe de política externa da União Europeia (UE), Josep Borrell, disse nesta segunda-feira que o bloco considera a Rússia “responsável” pela saúde de Navalny.

No domingo, Borrell já havia dito que a UE estava “profundamente preocupada” com o fato de a saúde de Navalny “continuar se deteriorando ainda mais”.

O ministro do Exterior da Alemanha, Heiko Maas, exortou Moscou a dar a Navalny cuidados médicos adequados.

“Exigimos urgentemente que Alexei Navalny receba tratamento médico adequado e acesso a médicos em quem confia. Seu direito a cuidados médicos deve ser garantido sem demora”, disse Maas ao jornal Bild.

O ministro do Exterior da França, Jean-Yves Le Drian, advertiu que a Rússia deve ser considerada “responsável” pela saúde de Navalny e que pode ser alvo de mais sanções.

Também nesta segunda-feira, o ministro do Exterior do Reino Unido, Dominic Raab, afirmou, pelo Twitter, que o governo russo é responsável pela deterioração da saúde de Navalny e apelou para que ele tenha acesso a cuidados médicos independentes.

O governo dos Estados Unidos disse no domingo que informou a Rússia de que “haverá consequências” se Navalny morrer na prisão.

No sábado, mais de 70 celebridades de todo o mundo exigiram, em carta aberta, cuidados adequados para o oposicionista Alexei Navalny.

O Kremlin vem desconsiderando as preocupações dos países ocidentais.

“A saúde dos condenados na Federação Russa não pode e não deve ser um assunto relacionado a eles”, disse o porta-voz Dmitry Peskov.

Por que Navalny está na prisão?

Navalny foi preso em janeiro em Moscou ao retornar da Alemanha, onde passou cinco meses se recuperando de um envenenamento por um agente nervoso desenvolvido na época da União Soviética. Ele acusa o Kremlin de tentar matá-lo. O governo russo nega.

No começo de fevereiro, um tribunal da Rússia sentenciou Navalny a dois anos e meio de prisão. A Justiça alegou que o ativista, em sua estadia na Alemanha, violou as condições de sua liberdade condicional relacionada a uma sentença proferida em 2014, ao não se apresentar regularmente para as autoridades.

A sentença original envolve um suposto caso de fraude, num processo que foi considerado politicamente motivado e declarado ilícito pelo Tribunal Europeu de Direitos Humanos.

A nova prisão de Navalny foi o estopim para protestos contra o Kremlin. Milhares de pessoas saíram às ruas em dezenas de cidades para exigir a libertação do ativista e demonstrar insatisfação com o governo autoritário do presidente Putin. A reação das autoridades foi dura, e mais de 10 mil pessoas foram detidas.

 

Fonte: Deutsche Welle (DW)

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