Venezuela e Colômbia diante de uma nova etapa de relações

Caracas, (Prensa Latina) A mudança política na Colômbia como resultado da vitória eleitoral de Gustavo Petro hoje levanta várias questões sobre uma possível mudança nas relações deste país com a Venezuela, indicou uma fonte especializada.

No artigo publicado no site do grupo de pesquisa e análise Misión Verdad, o especialista indicou que o surgimento dessa corrente de esquerda moderada ajuda significativamente a mudar o mapa regional e abre possibilidades geopolíticas sem precedentes nas últimas décadas.

“O melhor cenário dentro do que é possível atualmente devido às condições precedentes é que a Colômbia se retire da agenda de assédio, cerco e asfixia multifatorial contra a Venezuela. E isso seria mais que suficiente para desescalar as tensões acumuladas”, avaliou o analista.

Entre os pontos nevrálgicos a serem abordados para estabelecer uma política efetiva em relação à Venezuela, Franco Vielma mencionou pela primeira vez a necessidade de articular ações conjuntas de segurança entre os dois países.

“Uma política de segurança conjunta, cujo objetivo é construir um quadro abrangente de segurança fronteiriça para conter a construção de um Estado difuso na fronteira e degradar o narcoterrorismo, que é uma inércia histórica da Colômbia que continua permeando o lado venezuelano”, afirmou.

Acrescentou que, em relação ao seu vizinho, a Colômbia deve deixar de ser um porta-aviões contra a Venezuela, deve deixar de ser uma base de operações para a organização de planos de desestabilização, tentativas de assassinato e incursões mercenárias e recordar a Operação Gideon (maio de 2020).

Em segundo lugar, destaca a importância de manter relações econômicas civilizadas e básicas entre os dois países; “O comércio binacional deve ser reativado em condições normais e sob arbitragem e regulamentação intergovernamental”, disse o especialista.

Também fez referência ao caso da estatal Monómeros, sob o controle da administração colombiana de Iván Duque desde a operação transnacional de desapropriação de bens do Estado venezuelano que começou em 2019 com a autoproclamação como presidente a cargo do dirigente de oposição Juan Guaidó.

Por outro lado – resenha o artigo da Misión Verdad- é necessário retomar as relações diplomáticas e consulares, os canais de comunicação institucional e a mediação de questões relevantes, como a grande migração histórica de cidadãos de ambas as nacionalidades entre os dois países, entre muitos outros.

“A agenda do governo paralelo na Venezuela falhou de forma retumbante e, em termos estritamente pragmáticos, Petro não precisa continuar reconhecendo o fracassado Guaidó e prolongar o pesado legado do Uribismo em suas relações com a Venezuela”, disse o analista.

Durante a campanha eleitoral que antecede as eleições presidenciais, Gustavo Petro afirmou que restabeleceria as relações com Caracas após três anos de ruptura.

Após o resultado histórico emanado das urnas no país vizinho, a Venezuela expressou em comunicado oficial a vontade de trabalhar na construção de uma etapa renovada de relações com a Colômbia, baseada na solidariedade, cooperação e paz entre os dois países.

Em fevereiro de 2019, o presidente venezuelano Nicolás Maduro anunciou a decisão de romper relações políticas e diplomáticas com Bogotá, culpando o governo de Iván Duque por apoiar a agressão contra a nação bolivariana, em conluio com os Estados Unidos e a extrema direita venezuelana.