Nenhum deputado é ‘suicida’ para aceitar proposta de nova CPMF em ano eleitoral

ANÁLISE

Durante a audiência pública na comissão mista da reforma tributária, realizada nesta quarta-feira (5), o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi alvo de críticas de parlamentares sobre o fatiamento da proposta do Executivo.

Senadores criticaram o fato de o ministro ter deixado para depois a apresentação do projeto de tributação sobre grandes fortunas e dividendos, assim como a polêmica criação da nova Contribuição sobre Movimentações Financeiras (CPMF).

Em entrevista à Sputnik Brasil, o cientista político Antônio Marcelo Jackson, professor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), disse que a dificuldade de relacionamento entre o poder Executivo e o Legislativo ocorre por conta de uma falta de projetos na área da economia por parte do governo federal.

“Essa dificuldade de relações da Presidência da República, da chefia do Executivo com o Legislativo, se dá por uma ausência absoluta de projetos e, quando aparece alguma coisa, eles tentam impor como está acontecendo agora, uma nova CPMF”, criticou.

Jackson disse que o projeto apresentado por Guedes transfere obrigações tributárias das empresas para a população.”Nós vamos desonerar as empresas e em contrapartida vamos fazer a sociedade inteira pagar por isso, no fundo é isso que está sendo proposto. Ou seja, aquilo que seria de responsabilidade das empresas a gente libera e vamos fazer com que toda a população arque com esse custo”, afirmou.

Segundo Jackson, propostas do tipo enfrentam ainda mais resistência dos parlamentares por estarmos em um ano eleitoral.

“Essa interferência fica mais evidente em virtude da ausência completa de um projeto para o país. Esse que é o ponto chave. […] Olha, com toda a sinceridade, ninguém é suicida em potencial para aceitar algo dessa forma”, completou.

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