Coronavac é segura em crianças e adolescentes, aponta estudo

Foto: Reprodução DW

A vacina Coronavac é segura e provoca resposta imunológica em crianças e adolescentes de 3 a 17 anos, segundo resultados de uma pesquisa publicada nesta segunda-feira (28/06) na revista científica The Lancet.

A Coronavac foi desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e é produzida no Brasil em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo. Segundo painel mantido pelo Ministério da Saúde, o imunizante é até o momento o mais usado no Brasil, com 47% das doses aplicadas.

O estudo de fase 1 e 2 contou com a participação de 552 crianças e jovens saudáveis entre os 3 e os 17 anos da província de Hebei, na China, e é o primeiro a avaliar a segurança e a resposta imunológica da Coronavac em pessoas dessa faixa etária. A pesquisa não mediu a eficácia da vacina, que será aferida em uma novo estudo clínico, de fase 3.

Os efeitos colaterais em crianças e adolescentes foram leves e moderados, semelhantes aos encontrados nos adultos que tomam a vacina, e incluíram dor no local da injeção, que afetou 13% dos participantes, e febre, sentida por 5% deles, e cessaram em até 48 horas.

Os pesquisadores realizaram exames nos vacinados 28 dias após terem tomado a segunda dose da vacina, e 96,8% deles haviam produzido resposta imunológica detectável contra a covid-19, um forte indicador de proteção caso a pessoa venha a se expor a uma eventual infecção pelo coronavírus.

A biomédica Mellanie Fontes-Dutra, integrante da Rede Análise COVID-19, ponderou no Twitter que o tamanho da amostra do estudo é pequeno e que faltam dados sobre a duração da resposta imunológica, mas a pesquisa é “um bom indicativo” para o uso da Coronavac nessa faixa etária.

O estudo foi realizado pela Sinovac em parceria com instituições chinesas. O Instituto Butantan, em nota, disse que os resultados “indicam um ótimo perfil de segurança e bons títulos de anticorpos neutralizantes induzidos pelo imunizante” e que os encaminhou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

No Brasil, somente a vacina da Pfizer-BioNTech foi aprovada até o momento para uso em pessoas na faixa de 12 a até 18 anos.

Vacinação de crianças e adolescentes

A vacinação de crianças e adolescentes é considerada essencial para que os países alcancem a imunidade coletiva contra a covid-19, atualmente estimada por epidemiologistas em mais de 80% da população.

Incluir essa faixa etária é necessário mesmo em países onde as pessoas com menos de 18 anos representam menos de 20% da população, como na Alemanha, onde são de 16,4%, para compensar o fato de que nem todos os adultos se dispõem a ser vacinados.

No mundo, a proporção de crianças e adolescentes até 17 anos na população mundial é de 30,2%, segundo estimativas do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas.

Além disso, apesar de crianças e adolescentes desenvolverem casos graves da covid-19 com frequência menor do que os adultos, uma parcela delas acaba tendo que se internada, e algumas morrem.

Alguns países, como Estados Unidos e Canadá, já aplicam a vacina da Pfizer-BioNTech em jovens de 12 anos ou mais. O uso do imunizante da Pfizer-BioNTech em pessoas dessa faixa etária também já foi aprovado pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês). A Alemanha pretende vacinar estudantes com mais de 12 anos contra a covid-19 até o fim de agosto, se houver doses disponíveis.

Um estudo com 2.260 voluntários realizado no final de março mostrou que a vacina da Pfizer-BioNTech é 100% eficaz em adolescentes de 12 a 15 anos. A Moderna também já realizou um estudo que identificou eficácia de 100% em pessoas de 12 a 18 anos. Outros fabricantes de vacinas também realizam estudos com suas vacinas em crianças e adolescentes.

Fonte: Deutsche Wellle (DW)

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